Gil faz show especial para promover o livro "Giluminoso - A Po.Ética do Ser"
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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 21 (AE) - Gilberto Gil estará no teatro do Sesc Pompéia, nesta terça e quarta fazendo shows especiais, com especialíssimos convidados, para promover o lançamento do livro "Giluminoso - A Po.Ética do Ser", de Bené Fonteles. A obra guarda a expectativa de deslocar os escritos de Gil do espaço circunscrito da letra de música para outro mais amplo - o da poesia, com tudo o que isso implica de reflexão sobre e percepção do mundo, de ruptura, de união de pontos díspares.
O livro traz, encartado, um disco em que Gil canta, acompanhando-se ao violão, 15 de suas músicas. Já valeria. Ele nunca havia cantado quatro das canções -"O Compositor me Disse" (Elis Regina a gravou, de uma forma que desagradou ao autor, o que provocou um estremecimento na amizade deles); "Copo Vazio" (foi um grande sucesso na voz de Chico Buarque); "Você É Você" (o registro foi de Gal Costa) e "O Som da Pessoa" (uma parceria nova, com Bené Fonteles, com participação deste).
Os espetáculos que Gil montou para a ocasião serão intimistas como o disco e trarão à cena duetos raros. Amanhã (22) com o compositor sobem ao palco Egberto Gismonti (que considera Gil a expressão mais completa do artista brasileiro contemporâneo) e a atriz Lucélia Santos (que dirá em voz alta algumas letras de Gil, como poesias que são). Na quarta-feira estarão com o compositor as cantoras Elba Ramalho e Marinês e o cantor Ney Matogrosso. O repertório é segredo. Mais ou menos segredo. Haverá surpresas - de Gil para Egberto, de Egberto para Gil. A base serão os números gravados no disco encartado no livro de Bené Fonteles.
O paraense (de Bragança) Bené Fonteles é artista plástico e gráfico, jornalista, animador cultural, compositor - e, agora, editor e produtor de disco (co-assina a produção do que vem com seu livro). Expôs suas obras no Masp; participou de quatro bienais internacionais de São Paulo e, em 1996, foi curador da Sala Especial Rubem Valentim (sobre quem organizou o livro "O Artista da Luz"). Tem obras em museus nacionais e do exterior, gravou discos com participação de Luiz Gonzaga e Tetê Espíndola ("Bendito"), Egberto Gismonti ("Aê"), Gilberto Gil ("DAlegria"). Está preparando mais um CD, com produção de Gil.
Entre os livros que escreveu ou organizou estão "O Livro do Ser" (Vozes) e "Gandhi Alma" (Funarte). Tem, prontos
por publicar, "A Presença Indígena na Arte Brasileira". "Giluminoso" é uma co-edição da Edutora UnB, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e do Sesc São Paulo.
As quase 300 páginas de "Giluminoso" trazem fotos de Gilberto Gil concebidas para a edição - um belíssimo estudo em preto-e-branco, realizado em estúdio por Mário Cravo Neto - e ainda trabalhos de Pierre Verger (entre eles uma imagem de Dorival Caymmi, apresentada como inédita, dos anos 50) e de Mário Friedlander.
Ainda encartado, um bilhete de Egberto Gismonti: "Gil, na certeza de que você continuará re-tocando as nossas vidas, enquanto Deus for servido..." "Giluminoso" divide-se em três partes: "Ao Compositor" é um ensaio de Bené Fonteles; "O Compositor Disse" traz 50 letras de Gil e uma ilustração, de Arnaldo Antunes (as letras foram escolhidas pelo compositor e pelo autor do livro; são, para eles, as que melhor explicitam a visão de mundo do músico); "O Compositor me Disse" é uma esclarecedora entrevista concedida por Gil a Bené Fonteles.
O disco seria a quarta parte do livro. "Não dá para definir se é disco, livro, multimídia: é um objeto", livra-se Bené das definições. "Um objeto de arte com que quis homenagear o compositor", acrescenta. Caetano Veloso é o autor das frases que abrem cada parte do livro. Cuja arquitetura (a começar pela junção e separação de palavras no título e subtítulo) é elaborada, cujo projeto gráfico e primoroso - mas cujo ponto de partida é simples: expor a poesia do músico; expor o músico na conversa franca da (muito boa) entrevista (de fato, uma conversa de amigos com pontos de vista semelhantes).
O disco tem a mesma simplicidade. Embora gravado em estúdio, dá ao ouvinte a sensação de intimidade, proximidade. Em parte por ser disco de voz e violão; em parte pelo (aparente) despojamento com que Gil reinterpreta maravilhas como "Rebento, Aqui e agora, Tempo Rei, Cérebro Eletrônico, Raça Humana, O Seu Amor" e outras.
Bené Fonteles acha que o mundo anda muito complicado. O show biz tirou a espontaneidade do artista, amarrou-o a fórmulas
marcações de luz, obrigações de horário, escravizou-o a rótulos. Quis romper a cadeia. Fez um livro que é disco, catálogo fotográfico, ensaio, biografia. Ousou, rompeu. Serviço - Gilberto Gil. Terça e quarta-feira, às 21 horas. R$ 10 00 e R$ 20,00. Teatro do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. A partir das 19 horas, no Hall do Teatro, lançamento do livro/CD Giluminoso - A Po.Ética do Ser, de Bené Fonteles (R$ 45,00)


