Gil em projeto especial
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quarta-feira, 26 de agosto de 1998
Nelson Sato 
A world music virou um rótulo tacanho, tão rentável quanto vazio, reivindicado a torto e a direito para levantar carreiras musicais em declínio. A corrupção do termo, no entanto, não impede que artistas sérios do circuito pop/popular incursionem pela chamada música étnica pesquisando o folclore e as manifestações enraizadas na tradição.
O compositor Gilberto Gil é o mais novo membro dessa elite. No próximo mês, ele lança o álbum O Sol de Oslo pelo selo independente Pau Brasil. O disco se anuncia como um projeto especial de sua carreira fonográfica. Gravado em 95 na cidade de Oslo, na Noruega, traz a participação de respeitáveis músicos estrangeiros.
O projeto foi idealizado e produzido pelo músico e proprietário do selo Pau Brasil, Rodolfo Stroeter. O repertório reúne parcerias inéditas de Gil com Marlui Miranda, Moacir Santos (arranjador brasileiro radicado há 40 anos nos Estados Unidos) e o próprio Stroeter. O disco traz xotes, xaxados, cirandas, emboladas e outros ritmos locais com uma abordagem de world music - explica o produtor.
Gil homenageia Jackson do Pandeiro revisitando o hit 17 Corrente, que recebe uma versão techno-acid. O Brasil profundo vem à tona com algumas adaptações de canções recolhidas por Mário de Andrade em sua célebre viagem pelo interior do País na década de 30. No CD, a única canção não-inédita do compositor baiano é Língua do P, já gravada por Gal Costa.
Stroeter lembra que Gil se entusiasmou com o conceito musical por trás do selo que ele dirige, depois de participar de um disco da compositora Marlui Miranda. Ele falou que gostaria de fazer um trabalho em parceria - conta. Mais tarde, os dois se encontraram e decidiram tocar o projeto iniciando a pré-produção do disco no Brasil.
O passo seguinte foi enfrentar o frio europeu enfurnando-se num estúdio de Oslo ao lado de músicos como o indiano Trilok Gurtu (considerado o maior percussionista da atualidade), o pianista e tecladista norueguês Bugge Wesseltof e a turma de compatriotas que incluía Stroeter, Marlui e o acordeonista Toninho Ferragutti.
Foram 10 dias criando o repertório e os arranjos - três deles dentro do estúdio. O resultado é um disco peculiar na trajetória de Gilberto Gil. Nós o oferecemos para a Warner (gravadora do compositor), mas eles não se interessaram pelo projeto e acabaram autorizando o lançamento pela Pau Brasil - conta o produtor.
O Sol de Oslo chega às lojas na segunda quinzena de setembro, antes do lançamento do tributo de Gil a Bob Marley pela Warner.


