Gil conecta passado e presente
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de outubro de 2009
Lauro Lisboa Garcia<br> Agência Estado 
Gilberto Gil e um violão. O novo projeto acústico do artista, ''Banda Dois'', sai em CD e DVD pelo selo Geléia Real com direção de Andrucha Waddington. O título remete a ''Um Banda Um'', canção que deu título a um de seus álbuns dos anos 1980. Gil desencavou outros hits e temas clássicos de seu vasto repertório que não cantava havia muitos anos. Entre eles, a divertida ''Rouxinol'' (parceria com Jorge Mautner), ''Lamento Sertanejo'' (Gil/Dominguinhos), ''A Raça Humana'', ''Metáfora'', ''Refazenda'', ''Super-Homem -A Canção'' e ''Esotérico''.
O roteiro de 23 canções inclui três inéditas - ''Das Duas Uma'', ''Quatro Coisas'' e a sensacional ''Pronto pra Preto'' - e reinterpretações de duas do recente álbum ''Banda Larga Cordel'' (''La Renaissance Africaine'' e ''Máquina de Ritmo'').
''Tempo Rei'', em versão superior à original de 1984, se configurou como a experiência mais radical de reinterpretação. Além da letra, só sobrou praticamente a base melódica. Gil mudou o andamento e o ritmo, criou harmonias que tornaram a canção ainda mais bela. Expresso 2222, por sua vez, decolou com mais velocidade.
Ao violão, Gil percorre caminhos surpreendentes, de harmonias sofisticadas, que lembram o processo paciente de reelaboração de João Gilberto, em favor do essencial. E o simples vira gigante.
De acordo com o próprio Gil, ele perguntou ao produtor Liminha qual o segredo de um show acústico simplificado. ''É só voltar ao começo.'' E Gil voltou mais para trás ainda, prestando homenagens a duas fontes das muitas vertentes de sua música: Dorival Caymmi (''Saudade da Bahia'') e Jackson do Pandeiro (''Chiclete com Banana'').
O músico também exalta a relação de 30 anos com Flora, cantando canções dedicadas a ela, como a que leva seu nome e a bela ''A Linha e o Linho'', em interpretação fluida, límpida. ''Das Duas Uma'' é uma valsa que ele fez para celebrar o casamento da filha Maria, a pedido dela. Por falar em relações familiares, ''Amor Até o Fim'', gravada por Elis Regina, vai na voz de Maria Rita, que fez tudo direitinho, igual à mãe.


