Gil apresenta documentário sobre Pierre Verger
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segunda-feira, 23 de novembro de 1998
Ranulfo Pedreiro 
Em 1948, Pierre Verger estava em Salvador quando conheceu o candomblé, num terreiro da cidade. O fotógrafo francês já tinha percorrido o mundo inteiro a trabalho, quando escolheu a capital da Bahia para morar, em 1946. Curioso com a forte presença da cultura africana no Brasil, Verger começou uma série de pesquisas que o transformariam em um etnólogo.
Sua principal meta era traçar paralelos entre a cultura de Benin e seus reflexos em Salvador. Pierre Verger se iniciou no candomblé, e se tornou Fatumbi, nome nagô que adotou após os ritos de uma mãe-de-santo. A curiosidade foi ainda mais longe, e o estudioso aprendeu a arte de jogar o ifá - ler búzios. Verger também foi o primeiro branco a ser iniciado nos rituais de Xangô. Só não se aprofundou mais no misticismo afro-brasileiro porque esbarrava na racionalidade de sua origem.
Em 96, um dia antes de morrer, aos 93 anos, Pierre Verger concedeu uma longa entrevista a Gilberto Gil, compositor que também demonstra interesse no tema. Na conversa, Verger criticou seu próprio racionalismo, incisivo apesar de anos dedicado ao misticismo.
A entrevista se tornou o documentário Pierre Fatumbi Verger - Mensageiro Entre Dois Mundos, que o canal pago GNT exibe em dois episódios de 45 minutos cada, hoje e amanhã, às 22 horas.
A importância do etnólogo pode ser constatada nos livros Orixás, Deuses da África e Lendas Africanas dos Orixás, em que reuniu seu conhecimento e coletou detalhes de uma cultura que até então não eram registrados. Verger também é autor de Fluxo e Refluxo, tese de doutorado defendida na Sorbonne.
No documentário, Gilberto Gil persegue os passos de Verger no aprofundamento da cultura africana. O cantor conversa com pais-de-santo e visita cidades como Uidá, Porto Novo e Kotonu, entre outras. No Brasil, o músico entrevista pessoas que conviveram com o francês, como Zélia Gattai e Jorge Amado.
Numa das cidades africanas, Gilberto Gil participa de uma cerimônia protagonizada por um babalorixá em homenagem ao pesquisador. Pierre Fatumbi Verger - Mensageiro Entre Dois Mundos foi filmado em 16 milímetros e é uma co-produção entre GNT, Conspiração Filmes e Gegê Produções - empresa de Gilberto Gil - e traz a direção de Lula Buarque de Hollanda e roteiro de Marcos Bernstein, o mesmo de Central do Brasil, e direção de fotografia de César Charlone.


