Gibson é tratado como um 'católico radical'
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quinta-feira, 06 de março de 2003
Agência Estado 
Nova York - Mel Gibson já está em uma blitz na mídia americana para contra-atacar uma reportagem que ainda nem foi publicada pelo jornal ''New York Times''. Na edição do próximo domingo da revista encartada no jornal, o repórter Christopher Noxon escreve que o ator é parte de um grupo tradicional de católicos ''que segue as doutrinas de um conselho papal do século 16, são místicos, monarquistas, conservadores e acreditam em teorias de conspiração''.
Os membros desta congregação desdenham do Conselho Vaticano 2º, entre 1962 e 1965. Para eles, missas ainda têm de ser feitas em latim, jejum é obrigatório nas sextas-feiras e mulheres têm de usar chapéus na igreja. O repórter escreveu a história porque seu pai mora ao lado da Igreja da Sagrada Família, que o ator construiu perto de Malibu, na Califórnia.
Gibson recusou um pedido de entrevista, mas Noxon conseguiu falar com o pai do ator, Hutton Gibson, de 85 anos, que mora em um subúrbio de Houston, no Texas. Ele é um crítico incansável do Vaticano nos últimos 30 anos e escreveu livros como ''O Papa É Católico?''. Ele publica quinzenalmente uma newsletter chamada ''A Guerra É Agora''.
O Gibson-pai diz na entrevista que o Conselho Vaticano 2º foi ''um complô massônico patrocinado pelos judeus'', chamou o papa João Paulo II de ''seguidor do Alcorão'' e negou a existência do Holocausto. ''Pergunte a qualquer agente funerário ou funcionário de crematório quanto tempo leva para se livrar de um corpo. Um litro de gasolina e 20 minutos. E 6 milhões?''
O ator nunca expressou as mesmas opiniões, mas o jornalista acha que seu novo filme, ''The Passion'', sobre as últimas 12 horas na vida de Jesus Cristo, vai reavivar a idéia medieval de que foram os judeus que mataram o filho de Deus. O filme, estrelado por Jim Caviezel, é todo em latim e aramaico, sem legendas. Há rumores de que a fita, que custou US$ 25 milhões saídos do próprio bolso do ator, é muito violenta.
Gibson foi ao programa do ultraconservador apresentador de TV Bill O'Reilly, da Foxnews, para dizer que um jornalista do ''New York Times'' estava fazendo uma matéria ''contra'' ele, em que tinha ''cavado'' sua vida particular, investigado suas contas bancárias e ''ameaçado'' sua família.


