Curitiba e Foz do Iguaçu já têm a sua. Chegou a vez de Londrina. A primeira gibiteca da cidade faz parte de um projeto mais amplo, que pretende estabelecer um centro de convívio em que aficcionados do gênero HQ, RPG e afins poderão trocar idéias e mostrar trabalhos. Idealizado pelos fãs de histórias em quadrinhos da cidade, só agora o projeto teve apoio da Prefeitura, especificamente da Secretaria Municipal de Cultura: ‘‘Antes a gente apresentava o projeto, mas nunca tinha resposta’’, lembrou o quadrinista e jornalista Cláudio Yuge.
Para coordenar a Gibiteca, foi proposta a criação de uma organização não governamental, a ‘‘Associação dos Colaboradores da Gibiteca de Londrina’’, responsável pelos trâmites burocráticos e financeiros do órgão: ‘‘Estou terminando o estatuto e cuidando da parte legal’’, antecipa o jornalista Carlão Moraes, que deve apresentá-los hoje na assembléia que vem ocorrendo semanalmente, aos sábados, a partir das 14 horas, na Casa do Papai Noel (aliás, a casa, que pertence ao município, deve ser a sede oficial da gibiteca, mas nada está confirmado). A assembléia, aberta a todos os interessados, deve regulamentar a ONG até o próximo dia 30, prevê Yuge.
Carlão é responsável pela secretraria junto a Yuge, enquanto os desenhistas Juliano Barbosa Alves e Maurício Loyola ocupam a presidência da gibiteca. Yuge esclarece que os cargos foram criados apenas por aspectos burocráticos, lembrando que ‘‘há muita gente ajudando a efetivar a gibiteca, desde a moçada de HQs até quem joga RPG’’.
Segundo Carlão, um dos principais objetivos de se criar a gibiteca é propiciar uma maior divulgação aos artistas de Londrina: ‘‘Tem muita gente fazendo quadrinhos na cidade e não tem o reconhecimento que merecia. A idéia é criar este espaço de divulgação e também permitir que todos se conheçam’’. Yuge lembra que o acervo reunido estimulará a leitura em muitos jovens: ‘‘O Brasil produz muito HQ e quase não consome. HQ nacional então... poucos compram’’. E acrescenta que haverá oficinas voltadas para a criação de quadrinhos e para elementos ainda ignorados dos HQs, como seu potencial de marketing: ‘‘Muitas empresas usam o formato de HQs em sua publicidade; em Londrina, este potencial ainda é desconhecido’’.
A data prevista para a inauguração da gibiteca é 27 abril, quando a ONG já estará regulamentada e os recursos já terão sido captados: ‘‘Estamos captando de várias maneiras. Tem um pessoal que joga RPG e contribui com uma taxa’’ explica Yuge, que enfatiza a necessidade de um patrocínio para dar continuidade ao projeto. ‘‘Ninguém está recebendo nada, mas há despesas para manter a gibiteca, não dá para ignorar’’. A solenidade de abertura da gibiteca contará com oficinas de desenhos, debates sobre criação de HQs e ‘‘Live Actions’’ (realização de jogos de RPG, como se fossem encenações teatrais lúdicas) e estará aberta a toda comunidade. Os interessados em apoiar a gibiteca ou ajudar em sua efetivação podem entrar em contato com Yuge (43 324-4087) ou Carlão Moraes (43 337-2961).

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