ReproduçãoCapa da revista
Metal Pesado em
edição comemorativa
dos 15 anos
da Gibiteca
de CuritibaUm centro de informação e formação especializado em Histórias em Quadrinhos, a Gibiteca de Curitiba está completando hoje 15 anos de atividade. Para comemorar a data, a primeira casa de cultura especializada em histórias em quadrinhos do País está promovendo uma programação especial até o dia 15 de novembro. O destaque das comemorações é uma edição especial que está sendo lançada pela revista Metal Pesado, trazendo 23 quadrinistas de Curitiba.
A programação prevê ainda, do lado editorial, o lançamento de dois livros, ‘‘A História em Quadrinhos no Brasil’’, coletânea de textos organizada por Key Imaguire Junior e Ivan Carlo Andrade, e ‘‘O Melhor de Marcozinho’’, tiras infantis de Tako X e Edu. As duas publicações serão lançadas na Gibiteca, dia 15 e 21, respectivamente, às 19 e 16 horas. No mesmo local, a partir do dia 15, estarão expostos os originais da revista Metal Pesado comemorativa do aniversário. No campo do cinema, foi programada a mostra ‘‘Quadrinhos no Cinema’’, que vai até 23 no Cine Guarani, com os longas ‘‘Asterix e a Surpresa de César’’ (hoje); ‘‘Heavy Metal, Universo e Fantasia’’ (16 a 19) e ‘‘Batmam & Robin’’ (21, 22 e 23).
Completam a programação especial mais três eventos. Dia 21, a partir das 15 horas, a Gibiteca abrirá as portas para as crianças, com shows de mágicas, presença de atores fantasiados como personagens da Disney e distribuição de gibis. No dia 22, na casa de shows Forum, acontece show com a banda de MPB Grupo Fato (21h30). E, finalmente, dia 31, às 19 horas, também na Gibiteca, será jogada uma partida do RPG Live Action, dentro do projeto Unliving Cities, que agrega praticantes do jogo em todo o mundo em partidas simultâneas.
QG Inaugurada inicialmente numa das lojas da Galeria Schaffer, onde ficou por seis anos, a Gibiteca assumiu o papel de ser o QG de formação de muitos quadrinistas. Mais do que uma biblioteca especializada em gibis, é um centro cultural que promove cursos, exposições, palestras, lançamentos e outros eventos que contribuem para a divulgação da arte dos quadrinhos.
Com cursos que vão dos níveis básicos até os avançados, agrega tanto os iniciantes como os quadrinistas que já produzem profissionalmente. ‘‘Muitos bons profissionais que atualmente trabalham em jornais e agências de publicidade saíram daqui’’, diz a coordenadora do espaço, Márcia Squiba, que há dez anos trabalha na Gibiteca. Quando a coordenadora fala sobre o campo de trabalho citando jornais e agências, deixa claro que o maior problema dos quadrinhos locais é a falta de um veículo apropriado, uma revista.
‘‘O pessoal desenha, e os trabalhos não saem da gaveta. O mercado está bem retraído, por uma série de fatores como os custos de prensagem, a dificuldade de distribuição e a própria demanda reduzida. Até autores famosos como Angeli e Laerte não estão lançando muitas coisas’’, diz Márcia. ‘‘Por isso uma edição especial de quadrinistas curitibanos, como esta da Metal Pesado, é muito importante’’. A revista teve patrocínio da Fundação Cultural de Curitiba, órgão ao qual a Gibiteca é integrada. ‘‘A idéia é lançar o projeto de uma revista com artista locais’’, define Márcia.
Grafipar O projeto de uma publicação exclusiva com quadrinistas curitibanos lembra os tempos áureos da editora Grafipar. Entre 1978 e 1983, quando sucumbiu devido a uma das crises econômicas bem conhecidas do País, a editora curitibana produziu muito, revelando talentos como o de Cláudio Seto e Fernando Ikoma. Como resultado desta produção, rompeu a primazia do eixo Rio-São Paulo e mostrou que por aqui também se produzia HQs de qualidade.
Para escolher os quadrinhos que iriam ilustrar as 30 páginas da Metal Pesado, a Gibiteca fez uma seleção, convocando praticamente todos os quadrinistas locais a participarem. Mais de 150 páginas desenhadas foram enviadas por 60 artistas da cidade. ‘‘Isto prova que Curitiba tem muitos quadrinistas bons. O que falta é espaço’’, ressalta a coordenadora da Gibiteca. Entre as estórias apresentadas na revista, tem destaque a do super-herói O Gralha, que recria o personagem criado pelo desenhista Francisco Iwerten na década de 40. O Gralha, que teve vida curta - apenas três edições da revista foram conhecidas - foi recriado com texto de José Aguiar e Gian Danton e desenhos de Edson Kohatsu, Antonio Eder, Luciano Lagares, José Aguiar, Augusto Freitas, Alessandro Dutra e Tako X.
Com um uniforme inspirado na Gralha Azul, um dos símbolos do Paraná, o super-herói enfrenta outro personagem bem conhecido por aqui: o chupa-cabras. No final, o Gralha vence o desafio. Com iniciativas como esta da revista Metal Pesado, espera-se que os quadrinistas locais também consigam vencer seu maior desafio, o de conquistar mais espaço.

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