GESTOS MARCANTES, JOGOS SUTIS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de junho de 2000
Francelino França De Londrina 
Um dos espetáculos de dança mais aguardados no Brasil, A+B=X, apresentado pela Cia. Gilles Jobin, tem sua estréia na América Latina hoje no Filo 2000. O espetáculo pode ser considerado uma odisséia gestual através da mente humana. Essa equação sobre nossas as possibilidades expressivas, realizada por duas bailarinas e pelo próprio Gilles Jobin, tem como resultado imagens sugestivas que podem adquirir várias leituras.
Nesse espetáculo, Jobin apresenta corpos desnudos e retorcidos, o inverso daquilo a que estamos habituados a ver. Em alguns momentos, a sensação é que a tríade de bailarinos está levitando. Os corpos fluidos no espaço, desafiando a relatividade do tempo. Foi com o processo de criação de A+B=X que a linguagem particular de Gilles Jobin ficou sedimentada.
O coreógrafo e bailarino Gilles Jobin opta por trabalhar todos os signos que o corpo pode proporcionar. Seu ponto de partida para o ato criativo são os estados alterados da mente: sonhos reveladores, um momento profundo de concentração particular, momentos de loucura, drogas. Tudo que está em estado alterado tem uma densidade, níveis de movimentos que podem ser lentos e densos. Trabalho o espaço e movimento de forma geométrica, explica Jobin.
Para potencializar sua proposta corporal, Jobin reforça sua conceitualização com música ambient, composta especificamente para esse espetáculo pelo grupo The Young Gods. Essa vertente da música eletrônica proporciona o clima de viagem que o espetáculo requer. Segundo Jobin, a música convida o espectador a relaxar para dar um mergulho no espetáculo.
A iluminação impactante e inserção de imagens registradas em Super-8, captadas de corpos tatuados e projetadas nos bailarinos, transforma-os em telas mutantes. Os bailarinos carregam no corpo, inicialmente, apenas uma camiseta. O público se pergunta, em determinados momentos, se é um corpo masculino ou feminino. São jogos sutis sobre os gêneros.
Pensamos primeiro e depois movemos. Pensamos com conteúdo e essa é uma tendência nas artes em geral, afirma. A tendência para a dança na Europa, segundo reporta Jobin, é o trabalho de autor cada vez mais delineado. Coreógrafo independente, Gilles Jobin, 36 anos, teve formação no balé clássico, mas com um pé na dança contemporânea. Começou a trajetória como coreógrafo em 1995.
O espetáculo A+B=X estréia hoje, com outra apresentação agendada para amanhã, às 21 horas, no Núcleo I (Rua Quintino Bocaíuva, 1243). A Cia. se apresenta nos dias 1 e 2 de julho em São Paulo e 8 e 9 de julho em Belo Horizonte, com outro espetáculo do repertório, Braindance.


