Orçamento reduzido, cantores estrangeiros desconhecidos e cenário de papel: essa é a cara de ‘‘La Forza del Destino’’, primeira montagem da gestão de Lúcia Camargo à frente do Teatro Municipal de São Paulo. Com direção cênica de Walter Neiva, a montagem de ‘‘La Forza del Destino’’ está orçada em R$ 315 mil – cifra pequena se comparada com os números em torno de um milhão de reais que vinham sendo regra no Municipal. Neiva não emprega cenografia tradicional, preferindo lançar mão de 20 painéis construídos com cinco quilômetros de papel craft.
O Coral Lírico e a Orquestra Sinfônica Municipal ficam sob regência de Tullio Colacioppo, que disse estar ‘‘em final de carreira’’. Talvez por isso a diretora do Municipal, Lúcia Camargo, tenha anunciado para o segundo semestre a vinda de quatro regentes estrangeiros, entre os quais deve ser escolhido um diretor artístico. ‘‘A partir do ano que vem, queremos fazer duas temporadas de ópera, uma em cada semestre’’, afirma Camargo. Os recursos viriam de parcerias com a iniciativa privada.
Hoje e nos dias 24 e 27, o elenco de ‘‘La Forza del Destino’’ tem cantores estrangeiros que são desconhecidos até mesmo de Colacioppo, que os arregimentou. Trata-se da soprano italiana Michela Remor (Leonora), de seu compatriota, o tenor Antonio de Palma (Don Alvaro) e do barítono israelense Boaz Senator (Don Carlo). Os protagonistas das récitas de amanhã e dias 25 e 28 são mais conhecidos do público paulistano – tanto o tenor Rubens Medina (Don Alvaro) quanto o barítono Sebastião Teixeira (Don Carlo) têm atuado com regularidade. Já a soprano paraense Alpha de Oliveira (Leonora) volta à casa após ter cantado, com grande sucesso, em 1992, em ‘‘Don Giovanni’’.

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