Ele foi um símbolo musical dos anos 20 e 30 e até hoje seus sucessos são interpretados por grandes nomes da música mundial. No entanto, muita gente pode não saber quem é George Gershwin, um dos maiores compositores americanos deste século. Mas com certeza já ouviu uma de suas canções na voz de estrelas como Janis Joplin, num filme de Fred Astaire ou na trilha de algum desenho animado.
George Gershwin é o autor de clássicos musicais como ‘‘Rhapsody in Blue’’ e ‘‘Porgy and Bess’’, a primeira e maior ópera americana. Nascido no Brooklyn, em Nova York, Jacob Gershwine (como foi registrado) estaria completando hoje 100 anos. O compositor morreu jovem, aos 38 anos, mas conseguiu em sua carreira um ato que marcou a história da música: foi pioneiro na tentativa de unir o erudito ao popular e levar o jazz e o blues para a orquestra sinfônica.
Essa herança da abertura jazzística que ele ofereceu à música erudita foi deixada em mais de 50 canções, além de trilhas para cinema e teatro, suítes orquestrais, prelúdios e concerto para piano, que inspiraram desde astros do rock, do jazz e do blues até famosos cantores de óperas.
George era dois anos mais novo que o irmão, Ira, com quem compôs diversas canções. O extrovertido George começou a estudar piano sozinho, aos 10 anos de idade. Aos 15, deixou a escola e foi tentar a carreira musical. Em 1916 começou a compor canções como ‘‘Making of a Girl’’, incluída num musical da Broadway. Pouco depois criou seu primeiro musical, ‘‘Half Past Eight’’, mas o triunfo chegou com ‘‘La La Lucille’’, na Broadway, e ‘‘Swanee’’, ambos de 1919.
Nos 18 anos seguintes produziu uma grande quantidade de músicas. Das canções populares de grande sucesso como ‘‘I Got Rhythm’’, ‘‘They Can’t Take That Away From Me’’ e ‘‘Someone to Watch Over Me’’ até ‘‘Rhapsody in Blue’’, que tornou-se uma das obras orquestrais mais conhecidas da América.
Esta rapsódia selou um marco importantíssimo na história dos Estados Unidos, ao comprovar-se o nascimento da sua própria música sinfônica, criada com elementos genuínos e extraídos de um povo jovem, forte e com garra. O blues, o spirituals e o jazz ganharam ritmos e notas com outra roupagem. Hoje, ‘‘Rhapsody in Blue’’ - o cartão musical de Manhattan - faz parte do repertório das mais famosas orquestras sinfônicas do mundo.
Na música popular também compôs para a Broadway ‘‘Um Americano em Paris’’ e ‘‘Girl Crazy’’. Com a estréia de ‘‘Um Americano em Paris’’ em dezembro de 1928, com a Orquestra Filarmônica de Nova York, as partituras de Gershwin, cada vez mais cobiçadas, percorreram o mundo. Suas atuações como solista e compositor contribuíram para sedimentar sua fama. No cinema, Gene Kelly cantou e dançou músicas como ‘‘I Got Rhythm’’ e ‘‘S’Wondeful’’ ao lado de Leslie Caron.
Judy Garland, Doris Day, Fred e Adele Astaire também interpretaram Gershwin nas telas. Ella Fitzgerald cantou composições de George e Ira num songbook gravado pela Verve, no final dos anos 50. Somaram-se a esta lista de admiradores da música de Gershwin nomes como Louis Armstrong, Billie Holiday, Sarah Vaughan, Frank Sinatra, Nat King Cole e Janis Joplin.
Inspirado na cultura negra norte-americana, George escreveu a ópera folclórica ‘‘Porgy and Bess’’ - conhecida pelas canções ‘‘Summertime’’ e ‘‘Bess, You Is My Woman Now’’. Depois de quase um ano, veio a estréia, em outubro de 1935, no Alvin Theater. No ano seguinte, Fred Astaire e Ginger Rogers estrearam ‘‘Shall we Dance’’, com partitura criada por Gershwin.
No verão de 1937, George estava tocando nos Estúdios Goldwin quando passou mal. No início, parecia apenas excesso de trabalho. Em poucos dias voltou a trabalhar, mas logo depois, no dia 10 de julho, ele sofreu um segundo ataque. Em coma, foi levado para o hospital, onde faleceu em 11 de julho de 1937, vítima de um tumor cerebral.

CRONOLOGIA

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