Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Coisas de Gerald Thomas: o diretor traz para o 9º Festival de Teatro de Curitiba uma peça que eram duas: ‘‘Coro – Uma Tragédia Rave’’. Inicialmente ‘‘Coro’’ faria sua estréia hoje; ‘‘Camarim’’ na terça-feira. Na última hora ele resolveu que elas deveriam ser fundidas numa só. Então, estréia hoje, oficialmente, no Guairinha, ‘‘Uma Tragédia Rave’’. Ou seria um ensaio geral de sua alucinada criação? Thomas, que poderia responder a isso, até sexta-feira estava ensaiando intensivamente no Rio. Desembarca hoje em Curitiba, horas antes do início do espetáculo.
Vamos por partes. ‘‘Coro’’ se passa num local que lembra uma alfaiataria de um grande teatro nacional. Os manequins personalizados, usados para a confecção de figurinos dos grandes atores de tempos históricos e muito antigos, são representados pelos atores do elenco.
Nesse universo as paixões não explodem, tudo ali transcorre sob a aparência de serenidade, apesar da altíssima temperatura emocional. Seria como ‘‘uma conspiração nos modos do ‘Rei Lear’, de Shakespeare, embalada num serialismo catatônico que nos remete a Beckett’’, explica o autor. Esse engessamento emocional mostra a que ponto ‘‘excessivo e redundante chega a tentativa de somar as individualidades através de um denominador comum acadêmico’’.
Segundo Gerald Thomas este é o espetáculo em ‘‘negativo’’ em relação a ‘‘Camarim’’. Ou seja, o tom monocórdio do outro, é o contrário daquilo que ocorre em ‘‘Camarim’’. Há ruídos caóticos na platéia e, depois do segundo sinal, o público percebe que alguma coisa está errada.
Há ruídos de corre-corre, objetos de cena sendo colocados na última hora, atores combinando cenas. Nessa barafunda sobressaem-se as vozes dos
contra-regras chamando pela atriz principal. Aumenta a tensão, até que alguém energicamente pede silêncio.
Ouve-se o terceiro sinal com a cortina já aberta: a atriz principal está presa no camarim, sem condições de chegar ao palco. A peça tem início e, horrorizada, ela percebe que há uma substituta para o seu papel. A revolta cresce numa espiral de loucura, e de repente, abre-se a porta de um armário. De dentro dele cai o corpo de uma outra atriz.
‘‘Coro – Uma Tragédia Rave’’, de Gerald Thomaz com a Companhia de Ópera Seca. Estréia hoje, às 21h30, no Guairinha. Amanhã, sessão às 20 horas. Ingressos: R$ 20,00.O diretor estréia em Curitiba ‘‘Coro - Uma Tragédia Rave’’. A decisão de juntar dois espetáculos foi tomada na semana passada
ReproduçãoGerald Thomas fundiu ‘‘Coro’’ e ‘‘Camarim’’: espetáculos enfocam as relações humanas sob a ótica das emoções disfarçadas ou escancaradas

mockup