Geraissati mostra a música do futuro no projeto 'Next'
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
por Antonio Gonçalves Filho 
São Paulo, 27 (AE) - A parceria do violonista e compositor André Geraissati com outros grandes músicos brasileiros e estrangeiros é um dos mais generosos exemplos de pesquisa conjunta. Por outro lado, seu envolvimento como curador desses projetos - entre eles a série Cordas Dedilhadas, que trouxe ao Brasil nomes como os de Scott Henderson e Gary Willis - não tem permitido a Geraissati tempo suficiente para desenvolver a própria carreira. Há dez anos sem lançar um disco-solo, ele volta com Next (Tom Brasil Produções Musicais).
De certo modo, Next é uma antecipação de seu novo projeto, em que Geraissati vai desafiar instrumentistas e maestros a compor a trilha sonora de um mundo em transformação, combinando material acústico e eletrônico. Assim, o disco Next é uma espécie de laboratório sonoro destinado justamente a especular o que o mundo globalizado pretende fazer com as culturas regionais.
Já na primeira faixa essa intenção é clara e define a postura de Geraissati. Trem Caipira preserva o comentário musical de Villa-Lobos sobre o singelo papel de um meio de transporte que o Brasil abandonou e que fazia a integração entre diferentes culturas, cortando a paisagem tropical. A versão de Geraissati é mais sofisticada do que a de seu amigo e parceiro Egberto Gismonti, de caráter ilustrativo. O "trem" de Geraissati segue o trilho de Terje Rypdal, mas não descarrilha para o virtuosismo. Há, inevitável, certa contaminação do espírito new age nos arranjos do disco. Aqui e ali é possível identificar ecos de Vangelis e Mark Isham nos teclados da primeira primeira peça (de Villa-Lobos) e das outras cinco faixas de autoria de Geraissati. O diálogo com os tecladistas Eduardo Queiroz e Emílio Mendonça é produtivo, mas reverberatório. Com a percussão de Renato Martins (uma moringa de barro), o violão de seis cordas parece trocar mais idéias, especialmente em Kenya. É esse contraponto que Next usa contra o genocídio cultural da indústria.


