São Paulo, 07 (AE) - O violonista e compositor André Geraissati, apesar de todo o seu conhecimento musical, preserva a intuição. Sem se deixar envelhecer pela técnica, ele continua um inovador na música instrumental brasileira. E vai mostrar isso, de amanhã (08) a domingo, no Theatro São Pedro, no lançamento do seu CD "Next" (Tom Brasil Produções Musicais).
Geraissati não gravava desde 1991, quando lançou no mundo inteiro, menos no Brasil (por algum desses motivos como o pouco interesse das gravadoras e outros), o álbum "Brazilian Image". Desde essa época, empenhou-se na realização de pesquisas e projetos, como Banco do Brasil Musical, que reuniu instrumentistas de todo o País. Foram mais de 3 mil concertos, durante 5 anos. "Tenho muita sorte de ter ouvido representantes das mais diversas cidades do Brasil nesse tempo", conta. "Além dos músicos que participavam do encontro, que eram excelentes, os instrumentistas locais aproximavam-se de nós e, depois do show, a troca musical continuava."
Geraissati, sem preconceitos, "aprendeu" tudo o que pôde nesse período e acrescentou esse novo conhecimento à sua reflexão sobre a música instrumental brasileira (seja a popular ou a erudita). O resultado foi o disco "Next". No entanto, ele não é somente formado pelas análises de uma década de trabalho.
Desde 1982, quando começou a tocar com Egberto Gismonti - em paralelo com a sua carreira no Grupo DAlma -, Geraissati tinha idéia da atmosfera musical desse novo trabalho. "Mas não tinha disponíveis todos os recursos de informática e eletrônica de hoje", conta. "Só que, desde aquela época, eu queria expressar o meu ponto de vista musical sobre o Brasil."
"Eu sou um cara muito sortudo", diz. "Tive oportunidade de viajar muito pelo País e exterior." Com essas experiências, Geraissati chegou à conclusão de que o Brasil é o local do mundo em que se concentram as respostas, as diversidades do mundo, mas, principalmente, a música mais abrangente e rica. "Tenho mil exemplos de como a gente consegue ter referências musicais do universo e ainda produzir novidades."
Geraissati ilustra essa característica brasileira com a maneira de Gilberto Gil tocar: "Ele incorporou o reggae, mas com uma levada muito brasileira." Além de Gil, ele cita, por exemplo, a técnica de Roberto Mendes (um dos principais violonistas nordestinos), que expressa toda a musicalidade do Recôncavo Baiano - que dá origem a grande parte das tendências da Bahia -, mas tem algo da música hispânica. "É interessante ver que, quando Zeca Baleiro toca com os vários sotaques do boi (ritmo do Maranhão), existe familiaridade entre ele e Mendes", informa. "É essa maleabilidade do brasileiro que me fascina."
"Next" é a sua reflexão sobre tudo isso. "E, hoje, ainda tenho a sorte de ouvir por causa dos meus filhos o samba de Beth Carvalho e do grupo Fundo de Quintal", diz. "Adoro música." O disco, com seis composições, marca também uma nova fase na sua carreira. Os trabalhos anteriores contavam apenas com a presença de violões. Nesse incluiu as sonoridades e texturas da percussão (Renato Martins) e dos teclados (Eduardo Queiroz e Emilio Mendonça). Com "Next", ele quer iniciar o projeto de unir a música instrumental do mundo todo. O show traz ainda o sistema de áudio High End, inédito no Brasil. Serviço - André Geraissati. De amanhã (08) a sábado, às 21 horas. R$ 20,00. Teatro São Pedro. Rua Barra Funda, 171, tel. 3667-0499

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