Geração múltipla
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de março de 2013
Márcio Maio<br>TV Press 
O humor sempre teve lugar certo na tevê. Por isso, de tempos em tempos, é normal que uma nova safra de profissionais seja revelada nesse segmento. E não apenas na atuação, mas também no texto. Na Globo, Marcelo Adnet se prepara para estrelar a série "O Dentista Mascarado", enquanto Band segue apostando no humor adolescente do "Pânico na Band" e na irreverência do jornalismo bem humorado do "CQC". MTV também mistura a comédia com as notícias no diário "Furo MTV", sob o comando de Bento Ribeiro, com mais liberdade para ousar e sem qualquer comprometimento comercial. Enquanto isso outros atores exploram, na tevê fechada, suas criações, como Paulo Gustavo.
"O humor é o gênero mais autoral de todos. A pessoa reproduz, a partir da comédia, o que ela tem de melhor e pior e suas observações sobre o mundo. Acho que isso tem chamado a atenção de novas gerações que poderiam se dedicar a outras áreas", avalia Bento Ribeiro.
De fato, ser considerado um gênero mais autoral parece ser mesmo o principal chamariz para atrair cada vez mais artistas. Em alguns casos, nem mesmo o risco de ficar limitado a essa linha de interpretação diminui o interesse. "Sei que meu forte é a comédia. Não tenho receio em ficar tachado como um profissional essencialmente cômico. Deixe que pensem o que quiserem. O importante é eu estar feliz, trabalhando e fazendo novas amizades", afirma Paulo Gustavo, sempre irreverente, que explora sua veia cômica na tevê em "220 Volts", série exibida pelo Multishow.
Um raciocínio que parece ser compartilhado por Paulinho Serra, que atua como um dos "repórteres" do novo "Furo MTV", mas se tornou conhecido por fazer parte da equipe do "Pânico na TV!", na época em que o programa era transmitido pela Rede TV!. "Se eu estivesse em uma novela, falaria o que o autor escrevesse. Na MTV, posso cutucar e criticar", compara.
Para exercer plenamente esse lado autoral, quase todos os humoristas decidem também escrever seus textos. A maioria já se aventurou com criações em esquetes e até peças inteiras para o teatro. Mas há também quem exerça essa função na própria televisão. Bruno Mazzeo, um dos nomes que inspirou vários novos talentos, começou ainda criança, redigindo textos para o humorístico "Escolinha do Professor Raimundo". Gregório, com apenas 26 anos, já tem no currículo roteiros para programas como "As Cariocas", "As Brasileiras" e "Louco por Elas", todos da Globo. E Fábio Porchat, que vive o afetado Júnior de "A Grande Família", assinou trabalhos como o "Zorra Total". "As pessoas acham que está na moda fazer graça. Mas o que lota espetáculos e dá bilheteria no cinema, normalmente, é o humor", analisa Porchat.
Mas há quem acredite que o humor que hoje se vê na tevê não tem a mesma qualidade que o praticado por nomes do passado, como Chico Anysio e o grupo "Os Trapalhões". "Acho que a gente tende sempre a lembrar com saudosismo as coisas que foram bacanas. Como se aquele momento que já passou tivesse sido o melhor. Mas não sei se isso é real", diz Rodrigo Sant'anna, que colhe ainda o sucesso de sua personagem Valéria no humorístico "Zorra Total", da Globo.
Leia também:
- Meninas em desvantagem
- INSTANTÂNEAS


