Izabel de Oliveira e Filipe Miguez conseguiram virar o vento a favor de "Geração Brasil". Depois do sucesso de "Cheias de Charme", a dupla chegou embalada para apresentar a atual trama das sete. No entanto, a novela, que completa três meses no ar, sofreu durante o período de Copa do Mundo. Era apresentada em pequenas "pílulas" diárias e acabou prejudicada pelo encurtamento. Os autores, porém, criaram recursos para não "perder" a história. O "reality show" comandado por Jonas Marra, interpretado por Murilo Benício, por si só, já seria uma novidade. Mas, para chamar o telespectador, uma "websérie" foi desenvolvida. Na internet, a novela continuava com vídeos, mas de forma que quem não tivesse acesso não perdesse conteúdo. Esse tipo de comunhão soa inovador e interessante, mas o resultado não reflete na audiência de "Geração Brasil" – a média de 19 pontos ainda não se aproxima do desejo da emissora.
Não há uma fórmula certa para uma novela ter sucesso. O que existe são alguns fatores que contribuem para que um folhetim caia ou não no gosto do telespectador. Na tentativa de modernizar "Geração Brasil", muitos termos do universo "nerd" foram inseridos no roteiro. É claro que tem um contexto que justifique por trás, mas um pouco mais de didatismo, sem exagero, para explicar os conceitos seria bem-vindo. Outro entrave é com o núcleo "gringo". Frequentemente Megan e Brian, personagens de Isabelle Drummond e Lázaro Ramos, falam termos e frases em inglês. O fato não é novidade na teledramaturgia, mas os excessos cometidos pelos personagens e, mais uma vez, a falta de didatismo podem confundir quem está assistindo e que não necessariamente domina o idioma.
Como "pede" o horário das sete, o humor é o grande carro-chefe de "Geração Brasil". Destaque para a atuação segura e cheia de nuances de Taís Araújo, que interpreta a doce Verônica. Estreante em novelas, Leandro Hassum divide com ela os melhores momentos da trama. Além do hilário Barata, o ator também interpreta, ocasionalmente, homens e mulheres da sua família que o visitam na Taquara. As cenas da dupla, assim como as protagonizadas por Taís e Murilo Benício, acabam sendo muito melhores do que as lideradas por Chandelly Braz e Humberto Carrão, intérpretes de Manu e Davi, que deixam muito a desejar.
Com uma direção acertada, que optou por localizar o telespectador com animações e recursos gráficos que condizem com o tom da trama, "Geração Brasil" tem bons ganchos e sólidos personagens para contar a história. O que indica que, sem intercorrências, a segunda metade vai ser bem mais tranquila do que seu começo conturbado.

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