Como palavrinhas mágicas, o ato de dizer ‘‘obrigada’’, ‘‘bom dia’’, ‘‘por favor’’ e ‘‘desculpa’’ anda se tornando coisa rara hoje em dia, quase que um reflexo de uma sociedade que privilegia o egocentrismo e parece estar perdendo o senso de gentileza e respeito. E foi a partir de uma reportagem publicada na Folha de Londrina, no dia 7 de abril, ‘‘Londrinenses pedem mais gentileza nas ruas’’, que a direção da Escola Aliança, no Jardim Jamaica, decidiu elaborar o ‘‘Projeto Respeito’’ para alunos de 1ªà 3ªsérie do Ensino Fundamental.
  De autoria do jornalista Guilherme Borges, a reportagem trouxe a opinião de diversos moradores da cidade sobre a falta de gentileza nas relações humanas e nas ruas de Londrina. A psicóloga social Mari Nilza Ferrari de Barros chamou o mundo de ‘‘narcísico’’, onde cada cidadão só consegue olhar para si mesmo, e tem dificuldade de reconhecer e respeitar o outro. ‘‘O assunto veio de encontro com a realidade que também enfrentamos na sala de aula. Hoje em dia respeito é coisa rara e os alunos de hoje não têm a mesma atitude respeitosa que os de antigamente tinham com os professores e diretores’’, ressaltou a professora Ângela Maria da Silva Ribeiro, que trabalhou com alunos da 3ªsérie a importância do respeito no trânsito e no meio ambiente. A aprendizagem respeito à natureza, também incluiu a leitura do poema ‘‘A súplica da Terra. Respeite-me’’, de Walter Rossi.
  ‘‘Eles passaram a perceber que a atitude individual tem sempre uma relação com o todo em que estamos inseridos. Agora estão mais conscientes e isso se revela na sala de aula, na relação deles com os pais, na hora de esperar na fila do lanche e no tipo de reação que têm quando entram em conflito com os colegas’’, disse a professora. Ela também defendeu que considera dever do professor levar esse tipo de debate para a sala de aula. ‘‘Cabe a ele levar o jornal e outros recursos que colaborem para uma maior conscientização do aluno. No nosso caso, o jornal foi um instrumento concreto que todos os alunos puderam consultar’’, afirmou.
  A aluna Isabele Carolina dos Santos Silva, 8 anos, contou que após o projeto aprendeu a respeitar mais ‘‘as pessoas, os animais e a natureza’’. ‘‘Estou mais educada e estou conseguindo pedir mais desculpas’’, pontuou. Sua amiga de sala, Kaori Luiza Rossi, também de 8 anos, destacou que não devemos jogar lixo na rua e que agora corrige os pais quando eles batem na sua cachorrinha de estimação – Lili – quando ela late muito ou cavuca o jardim. ‘‘Acho isso uma falta de respeito com o animal. Eu converso com a ‘Lili’ para ela não fazer coisas erradas e ela me obedece na maior parte das vezes.’’
  O aluno Wilson Alves da Silva Júnior, 8 anos, disse que o que mais gostou do projeto foi a pesquisa sobre o respeito com os idosos. ‘‘Agora estou respeitando mais os mais velhos e em casa sempre uso as palavras ‘por favor’ e ‘da licença’ quando falo com a minha mãe’’, explicou. Já para o aluno Guilherme Augusto Ferreira da Silva, 7 anos, uma das lições mais importantes foi aprender que jogar lixo na fossa pode causar entupimento e atrapalhar a vida de muitas pessoas. ‘‘Gostei de estudar com o jornal e também estou respeitando mais os animais’’, concluiu.

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