São Paulo, 21 (AE) - Jean-Marie Straub foi contemporâneo de Jean-Luc Godard nas revoluções estéticas e políticas dos anos 60. Seus últimos filmes quase não têm chegado ao Brasil, nem em programações especiais. Por isso mesmo é tão oportuna a apresentação de "Gente da Sicília" na 23.ª Mostra. É um grande Straub, feito pelo cineasta em conjunto com sua mulher, Danile Huillet.
O filme passa amanhã (22) à meia-noite no Maksoud Plaza. É sublime. Cinema experimental radical. Isso não impede que "Gente da Sicília" pareça mais belo e harmonioso do que outros filmes da dupla e passe um sentimento de serenidade na história que acompanha, por meio de planos e enquadramentos rigorosos, a volta de um homem às origens. O filme baseia-se no livro de Elio Vitorini, "Conversações com a Sicília".
É a história de um homem que volta aos lugares em que nasceu e passou a infância. O filme, como o livro, é feito de conversações - blocos de palavras e tempos que proporcionam um aprofundamento cada vez maior na tragédia siciliana. Num outro contexto, com outro estilo, Straub e Danile prosseguem com o diálogo de Francesco Rosi e Luchino Visconti (O Bandido Giuliano e La Terra Trema) com a dura realidade da Sicília.

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