Geniozinho intragável
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sexta-feira, 03 de dezembro de 2010
Omar Godoy <br>Equipe da Folha 
Chega hoje aos cinemas brasileiros um dos prováveis candidatos ao Oscar 2011 Dirigido por David Fincher, ''A Rede Social'' narra o surgimento e ascensão do Facebook, o maior site de relacionamento do planeta, com mais de 500 milhões usuários Mas há quem diga que o filme vai além, e se firma como o retrato definitivo da chamada Geração Y - aquela que cresceu com a internet e começa a dominar o mercado de trabalho
A história tem início numa noite de 2003, na Universidade de Harvard, onde estuda o geniozinho da computação Mark Zuckerberg (vivido pelo promissor Jesse Eisenberg, de ''A Lula e a Baleia'') Ele leva um fora de uma garota e, revoltado, posta mensagens vingativas em seu blog Em seguida, e com a ajuda do amigo brasileiro Eduardo (Andrew Garfiel, o próximo Homem-Aranha), cria um aplicativo que compara a beleza das estudantes da região Mais canalha, impossível
A ferramenta faz sucesso e chama a atenção de três estudantes mais velhos, que estão desenvolvendo uma rede social exclusiva para a comunidade de Harvard Zuckerberg aceita trabalhar com eles, porém segue aperfeiçoando um outro projeto, em paralelo Então batizado de ''The Facebook'', o site se expande rapidamente e chega às universidades da Califórnia
Quando os veteranos descobrem a ''traição'', iniciam uma guerra judicial contra o programador Mais tarde, Eduardo também processa o (ex) amigo, por ter sua parte nos negócios achatada Ainda há espaço na trama para outra figura-chave: Shawn Parker (interpretado pelo popstar Justin Timberlake), co-fundador do Napster, o programa de download de músicas que abalou a indústria fonográfica Um fanfarrão que se torna o mentor de Zuckerberg
Se não fosse a mão boa de David Fincher, ''A Rede Social'' seria um tédio Afinal, o filme quase não tem ação e baseia seu eixo narrativo nas intermináveis audiências entre os personagens e seus advogados Mas o diretor de ''Clube da Luta'' e ''O Curioso Caso de Benjamin Button'' salva a pátria e consegue envolver o espectador num clima de intensidade e suspense
Outro acerto de Fincher é usar o roteiro de Aaron Sorkin (egresso da televisão) para discutir a ética, digamos, distorcida do protagonista Retratado como um garoto brilhante, porém intragável, Mark Zuckerberg atravessa a história passando por cima de amigos e parceiros - e fingindo que não é com ele Como os prejudicados são igualmente desonestos, há o risco de tudo ficar por isso mesmo na cabeça do público
Se este é o retrato da geração que vai tomar (ou já tomou) conta do mundo, estamos ferrados


