Ao lado de Alberto Cavalcanti e Gláuber Rocha, ele é o cineasta brasileiro mais conhecido no exterior. Foi galã da Atlântida e o primeiro diretor da América Latina a receber a Palma de Ouro em Cannes. Foi o único brasileiro a filmar em 70mm, privilégio de grandes produções internacionais. É até hoje, a síntese de nosso cinema clássico, que não se posiciona diante da realidade retratada e atinge a profundidade das obras-primas. Ele é Anselmo Duarte, referência em aproximadamente 12.500 páginas na rede mundial de computadores.
O sítio oficial, construído com tecnologia de ponta, tem óbvio endereço: www.anselmoduarte.com.br. É uma página inicial aos interessados em um universo único de nossa cinematografia. Nascido em 21 de abril de 1920 na pequena Salto (SP), Anselmo Duarte Bento foi engraxate, barbeiro, trabalhou em farmácia e na estação de trem como maleiro. Aos 22 anos, respondeu um anúncio de jornal que convocava casais de dançarinos para um teste no Cassino da Urca. Duarte estreava em películas ao lado da vedete Lolita, realizando vários números para o filme ‘‘It’s All True’’, de Orson Welles. O encontro dos dois gênios não terminou em festa: Welles se apaixonou por Lolita e provocou algumas brigas no set de filmagem.
Essa é apenas uma das inúmeras histórias folclóricas encontradas na vida de Anselmo. A partir de 1946, ele se manteve como a principal estrela da Atlântida e da extinta Vera Cruz. Após ‘‘Tico-Tico no Fubᒒ e ‘‘Sinhá Moça’’, era o galã mais requisitado no País. Curiosamente, abandona o estrelato e passa à direção. Conduz seu primeiro longa, ‘‘Absolutamente Certo’’ (57), com eficácia capaz de estimulá-lo a ir se aprofundar na arte cinematográfica em Paris. Torna-se próximo de Fellini, realiza filmes em Portugal, Espanha e cria, a partir da obra homônima de Dias Gomes, nosso primeiro grande trunfo internacional – ‘‘O Pagador de Promessas’’ (62).
Outras obras premiadas como ‘‘Vereda da Salvação’’ (64) e ‘‘O Crime do Zé Bigorna’’ (77) atestam um vigor estético que poderia contribuir ainda muito mais para nossa cinematografia. Pena que nosso País prefere a homenagem aos vencidos à redenção aos gênios, e Anselmo continue tão desconhecido quanto seus filmes...

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