Gênio do blues
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sexta-feira, 06 de maio de 2011
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
A trajetória de Robert Johnson, o maior bluesman da história, é repleta de mitologias. Neste domingo, quando se comemora o centenário de seu nascimento (8 de maio de 1911), muitas das peripécias e lendas que cercam seu nome serão novamente lembradas.
O programa ''Extrato MTV'' (MTV) vai celebrar a data com os apresentadores Gaía Passarelli, China e Chuck falando sobre o músico e o blues em geral. A atração vai ao ar às 23h30. Robert Johnson viveu apenas 27 anos e legou 29 músicas para a posteridade.
Morto em 1938, nunca foi famoso em vida. Ficou esquecido até 1960, quando subitamente passou a ser reverenciado por roqueiros como Eric Clapton e os Rolling Stones, que gravaram algumas de suas canções. ''É difícil entender como um músico modesto de raízes rurais conseguiu transcender sua condição e criar uma obra tão sofisticada, urbana e duradoura. Muitos são tentados até a acreditar na lenda de que Johnson vendeu a alma ao diabo em troca de seu gênio musical'', escreveu Roberto Muggiati no livro ''Blues - da Lama à Fama''.
Na infância, ele começou tocando jews's harp (uma espécie de berimbau-de-boca), seguido de harmônica até finalmente agarrar o violão. Os pais o queriam na escola, ele já sonhava em se tornar músico. Esperava anoitecer para sair às escondidas de casa para assistir às apresentações de seus ídolos Son House e Willie Brown nas ''jook joints'' - os templos de blues no início do século 20 na região do Delta do Mississipi.
Posteriormente, Johnson superou seus mestres como bluesman tocando com uma magia jamais vista, o que alimentaria o folclore sobre seu suposto pacto com o demônio. Tocava um violão Gibson nas apresentações, mas escolhia uma Kalamazoo para ocasiões especiais. Nunca saía de casa sem levar uma pequena agenda de capa preta para anotar letras e idéias para canções, uma sugestão do amigo Ike Zinnerman, um blueseiro que adorava tocar nos cemitérios à meia-noite.
Aos 25 anos, foi descoberto por um caça-talentos e convidado a gravar seu primeiro disco (''Terraplane Blues'') em 1936. Na sequência, saiu em turnê apresentando-se em espeluncas de Chicago, Detroit, Dallas, Nova York e New Jersey até virar atração fixa nas noites de sábado numa birosca da cidade de Greenwood.
Ali, em outro botequim, deu em cima da mulher do dono do lugar. Inconformado, o marido traído ofereceu-lhe uma garrafa de uísque envenenada com estricnina. Jonhson tomou tudo, sentiu-se mal, foi levado para casa de um amigo, contraiu pneumonia e morreu. Para os especialistas, ele influenciou toda a escola de Chicago - a segunda geração do blues - e se tornou o pai espiritual da terceira geração - os roqueiros britânicos dos anos 60.
O álbum ''Robert Johnson / The Complete Recordings'' reúne todas as suas 29 canções conhecidas, além de outras 12 versões. ''Robert não foi apenas a resposta da urbanização do blues ao velho estilo rural. Pode-se dizer que foi o primeiro músico a compor blues de autor'', assinalou Muggiati em outra passagem do livro citado acima. O universo poético do artista trata de perdas e danos, medo e magia, sexo e religião e, principalmente, amor e desamor.


