Generosidade à mesa
Com forte influência da religião taoísta predominante na China, o artista plástico taiwanês David Wang, 49 anos, acredita que a relação da comida com a afetividade é ainda maior lá do que na cultura italiana. "O foco sempre é a generosidade, a partilha, o amor na hora de comer, e as mães chinesas são muito amorosas", observa Wang, que por sete anos foi proprietário do restaurante Baisan. "Essa coisa da comida é tão forte na China que até há pouco tempo o cumprimento inicial de uma conversa era: 'você já comeu?', que corresponde ao nosso 'como vai?'", acrescenta.
E foi com a mãe que ele aprendeu a cozinhar aos nove anos, além de ter sido ela a responsável por ensiná-lo a pintar, já que ela era artista também. Um dos pratos que mais marcam a sua relação com a mãe é o jiaozi (versão original do que os japoneses adaptaram como guioza), consumido em ocasiões especiais. Em formato de uma espécie de pastel, ele também tem a fama de promover fartura e prosperidade. "Ela está com 76 anos e vive viajando, mas, quando estou com saudades dela, sempre vou para a cozinha preparar alguma coisa que ela me ensinou e fico lembrando das suas palavras", comenta.
"O jiaozi é um prato agregador, todo mundo da família participa no preparo e é por isso que as crianças aprendem a fazê-lo desde cedo. Ele pode ser frito ou preparado no vapor, mas cozido na água é o preparo mais tradicional", informa. "Sou grato por tudo que ela me ensinou e reconheço todo o seu esforço para nos criar. Quando chegamos ao Brasil, há 35 anos, éramos muito pobres e ela trabalhava como costureira. Teve que ser muito forte, ainda mais em uma época que o papel da mulher não era muito valorizado", agradece o artista à mãe Pei Chin (carinhosa, em chinês), que vai estar aqui neste Dia das Mães. (A.P.N.)





