Definir o ‘‘Livre Acesso’’ não é tarefa fácil. Afinal, até Márcia Peltier fica na dúvida quando alguém pergunta sobre o novo programa dominical. O que não é difícil perceber é a motivação e o entusiasmo da charmosa jornalista de 40 anos e 16 de carreira na televisão. Lançado em 2000 para as Olimpíadas de Sydney com a proposta de fazer reportagens sobre o lado ‘‘out’’ dos Jogos Olímpicos da cidade australiana, a produção ancorada por Márcia acabou agradando a audiência – chegou a dar 12 pontos – e a direção da Band. Com certo atraso, é verdade, o ‘‘Livre Acesso’’ estreou no dia 10 de junho fazendo um misto de jornalismo, comportamento e entretenimento às 22 horas de domingo. Na estréia, ficou nos 3 pontos de audiência, num horário em que o tradicional ‘‘Fantástico’’, da Globo, chega aos 38 pontos de média. ‘‘Meu programa tem de tudo um pouco, mas sempre com a proposta de passar algo construtivo’’, ressalta Márcia.
A animação de Márcia é compreensível. Afinal, desde que chegou à Band, em 1999, vinda da já agonizante Manchete, a jornalista, que também teve passagens pela TV Educativa e Globo, fez diversos programas que não vingaram mais do que um ano. Primeiro foi o jornalístico ‘‘Márcia Peltier Pesquisa’’ – projeto próprio feito por sua produtora e trazido da Manchete –, depois o feminino ‘‘Márcia Peltier’’ e na sequência o de entrevistas ‘‘Encontro Marcado’’. Já o ‘‘Livre Acesso’’ vem sendo adiado há quase um ano. ‘‘Mas tudo é uma caminhada para chegar agora e ter um projeto fascinante’’, enaltece.
O ‘‘Livre Acesso’’ foi concebido durante as Olimpíadas de Sydney e logo foi anunciado como um programa fixo para a grade. Por que a demora em estreá-lo?
Primeiro porque tivemos de fazer uma renegociação contratual. Além disso, tinha o prazo da estréia, pois ia começar no período das férias, o que não ia ser muito interessante. O lógico era começar no início deste ano, mas fiz o Reveillon, o Desfile das Campeãs do Carnaval e quando ia começar a fazer o programa tive dengue, que me deixou um mês em casa. Aí tudo atrasou.
Como você definiria o programa: como jornalístico, de comportamento ou de entrevistas?
É difícil definir porque ele tem de tudo um pouco. Tem matérias com aventura. Já fiz trilha entrando em cavernas cheia de morcegos, subi em cachoeiras e pulei de asa delta. Outros programas têm emoção, como um sobre adoção, ou coisas engraçadas, como foi o sobre a crise energética. O ‘‘Livre Acesso’’ só não vai ter um jornalismo formal. Não que a gente vá fazer sempre uma pauta light. Temos uma proposta de passar algo construtivo. Mas não pode ser nada para baixo pois é domingo à noite. Perdi cinco quilos, mudei o cabelo porque agora tenho de estar possivelmente despenteada em todos os lugares e fica mais fácil do que ter um channel arrumadinho. Estou adorando poder fazer muita coisa de camiseta e tênis.
A noite de domingo é um horário competitivo. Você não se preocupa com a guerra pelo ibope?
É evidente que a gente quer dar audiência, pois a tevê vive disso. Mas não tenho cobrança da emissora. A Band está querendo um bom produto jornalístico de uma forma diferente. Não é um jornalismo frio, nem impessoal, pois tem uma cara e a abordagem dos temas traz a diversidade que a emissora está procurando. Estamos começando agora, temos de formar nosso público.
Em pouco mais de três anos na Band você já fez três programas diferentes. Essa indefinição gera insegurança?
A Band sofreu modificações em termos de direção nesses últimos anos. Mas a tevê é algo vivo e ativo e o profissional tem de saber que o veículo é fugaz. Então, você tem de ter seus projetos. Uma coisa é você fazer um projeto que a emissora queira, outra são os seus projetos pessoais. O grande desafio é convergir os dois. E na vida é necessário ser um profissional completo, saber fazer de tudo para poder saber o que se faz de melhor. Aprendi isso na Globo com o Armando Nogueira quando não queria apresentar telejornal. Tudo é uma caminhada para poder ter agora um projeto que está me deixando fascinada.
A emissora também lançou uma grade popular com programas como ‘‘Melhor da Tarde’’ e ‘‘A Hora da Verdade’’. O ‘‘Livre Acesso’’ não destoa um pouco dessa proposta?
Não sei se destoa tanto. Acho que somos todos profissionais, todos da televisão e a casa aposta em diferentes horários com produtos e segmentos diferentes. Tem de ter espaço para todo mundo e acho que é isso que a Band está propondo. Tudo se completa.

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