Gaviões Londrinenses quer conquistar o hexa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A escola de samba Gaviões Londrinenses, campeã cinco vezes do Carnaval de Londrina, vai entrar cautelosa na avenida este ano. Favorita outra vez ao título do Grupo A, ela desfila no próximo domingo no Autódromo Internacional Ayrton Senna ao lado das escolas Quilombos dos Palmares, Garotos Unidos da Zona Sul e Império da Zona Norte.
Com menos componentes do que em 2006, a Gaviões quer conquistar o hexa sem correr o risco de perder pontos por causa de excessos ou exageros. Em vez de 600, a escola vai desfilar com 400 foliões - a bateria reduziu o número de ritmistas, de 60 para 40. ''Tivemos problemas de evolução e harmonia no ano passado, por isso resolvemos enxugar o número de componentes'', diz o carnavalesco Alex Lima.
Alex é o autor do enredo ''Embriagando-se de alegria, a Gaviões cai na folia - Eu quero sempre mais! - Sempre mais cerveja, sempre mais gelada!''. O tema, que poderá provocar algum mal-estar nas hostes politicamente corretas da cruzada anti-etílica, combina a exaltação à bebida com uma homenagem a dois mestres que marcaram a história da agremiação: Oriovaldo Rodrigues e Valdemira Rodrigues (a Tia Mira).
''A cerveja está associada ao Carnaval pela alegria que traz ao povo, ainda que não seja necessário encher a cara para se divertir. Ela é quase um elemento constitutivo da identidade nacional do brasileiro. Nossa proposta é contar sua história através da letra, das alas e alegorias'', explica o autor.
O samba traz a assinatura de Miltinho Oliveira, da ala de compositores da escola Acadêmicos da Rocinha do Rio de Janeiro e que pela quinta vez colabora com a Gaviões. No ano passado, ele não pôde desfilar no Norte do Paraná justamente por um conflito de agenda com a escola carioca, mas garantiu que desta vez participará das duas apresentações - isso, claro, se o tráfego aéreo não atrapalhar seus planos.
Miltinho, intérprete oficial, será acompanhado pelos intérpretes de apoio Sindy Lopes, Maycon, Mauro e Rogério Negão. O mestre-sala será Zé Luis, que também já atuou na Acadêmicos da Rocinha e é um dos responsáveis pela confecção das fantasias. Mestre Rogério comandará a bateria. A porta-bandeira será mais uma vez Ariane Cristina Rodrigues, destaque há 16 anos da agremiação.
A exemplo do ano passado, a Gaviões entrará na avenida com muitas fantasias adquiridas de escolas de samba do Rio de Janeiro. ''O carnaval local trabalha muito com reciclagem. Nossa preocupação é que tudo seja adequado ao enredo para não virar um samba do crioulo doido'' - ressalta Alex. Anunciando inovações nos carros alegóricos, ele informa que procurou utilizar materiais novos nesta temporada.
Artista plástico de formação, o carnavalesco trouxe muitas novidades para a Gaviões após fazer um estágio de 15 dias no Rio de Janeiro, no ano passado, ao lado da pesquisadora Juliana Barbosa e da porta-bandeira Patrícia Braga (da escola Império da Zona Norte). ''No Rio, o carnaval é uma indústria. É impressionante ver as condições em que as escolas trabalham. Lá, todas são respeitadas. Visitei várias escolas, das grandes às menores, e aprendi muito com a experiência'' - diz.
O carnavalesco conta que a viagem o deixou mais inconformado em relação a um suposto ''descaso'' com que os poderes públicos tratariam a festa popular no Paraná. ''Aqui, eles alardeiam que temos o melhor carnaval do Estado, mas liberam verbas para as escolas de samba uma semana antes do desfile. É um absurdo. Acho que já está na hora de prestar atenção na garra, na dedicação e na paixão das comunidades. Elas atravessam noites confeccionando fantasias para colocar a escola na avenida. E fazem isso heroicamente em ateliês improvisados, por que nem sede têm. Não dá para entender isso porque vários segmentos estão sendo atendidos na cidade - o pessoal do hip hop, circo, rock alternativo. Parece que o carnaval é visto aqui como cultura menor, o que não é'' - argumenta.
O custos do desfile da Gaviões estão orçados em R$ 40 mil. A Prefeitura repassou R$ 28 mil. Segundo Alex, este ano a escola conseguiu patrocínio de uma empresa de cerveja (citada no enredo), o que ajudou a cobrir uma parte dos gastos. Fundada em 1988, a agremiação é presidida por Edward Rodrigues. Venceu em 2000, 2003, 2004, 2005 e 2006. No domingo vai defender as cores preto, branco e amarelo. Será a terceira escola a entrar na avenida.


