Gatos do mundo, uni-vos!
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de outubro de 2001
De Londrina 
Uma boa dose de engenho, gags bem elaboradas, peripécias, aventura e suspense, miados e latidos: ''Guerra entre Cães e Gatos'' (veja a programação de cinema na página 5) é mais um lançamento nacional na semana com tema light, alguma coisa para estilizar a realidade e colocar o espectador, criança ou adulto, longe desse insensato mundo.
Neste argumento em que caninos são heróis e felinos os vilões, um gato persa branco, lindo e malvado, quer conquistar o mundo. Para isso, planeja obter uma fórmula secreta que um cientista, Brody (Jeff Goldblum), está quase terminando: um preparado que vai curar a alergia em cães. Alguns cachorros da vizinhança, como o pequeno Lou e o pastor alemão Butch, e outros de uma organização, devem tentar impedir que os gatos ponham as patas na tal fórmula e dominem o mundo, sem a concorrência dos cães que ficariam sarnentos e repugnantes. A luta entre as duas espécies se desenrola muito mais feroz do que os humanos imaginam. Ambas as partes detém tecnologia avançada e espiões por toda parte. O destino da humanidade acaba nas costas de Lou, que ainda precisa provar seu valor na batalha.
Transformar uma história própria dos tempos da Guerra Fria - há gatos-ninja, agentes russos, mercenários, parafernália computadorizada e até combates ao estilo ''Matrix'' - em um filme basicamente para menores foi tarefa afinal bem sucedida. As alternâncias da trama são vertiginosas, e a garotada deve ficar magnetizada, em suspensão na poltrona, espremidos entre a intriga mais sinistra e a comédia mais desenfreada. Organizando a história está o diretor Lawrence Gutterman, que já havia dirigido sequências de ''FormiguinhaZ'' - os eficientes efeitos especiais são uma constante garantia de veracidade no enfrentamenteo verbal e físico entre cães e gatos.
Há dois problemas a considerar. Os roteiristas John Requa e Glenn Ficarra são obviamente muito mais ardentes cinófilos que aplicados cinéfilos. ''Guerra Entre Cães e Gatos'' reforça um histórico maniqueísmo entre as espécies, dourando ainda mais a fábula de que os únicos melhores amigos do homem são os cães e reforçando a crendice medieval sobre a malignidade dos gatos. Mesmo sendo um trabalho fictício, o desserviço é evidente. Por outro lado está aqui de novo, embora minimizada, aquela necessidade (auto-edificante?) da segunda chance no cinema americano - o cientista de Jeff Goldblum descobre que precisa dar novamente mais tempo e compreensão ao filho e à mulher.
(C.E.L.J.)


