Quando chegou a Londrina, em 1962, a família de Masaiti Sequiguti, hoje com 70 anos, abriu um boteco chamado ''Bar da Mocidade'' na esquina da Quintino Bocaiúva com a Maragogipe. ''Demorei para me acostumar com Londrina. Você não podia encostar em nada que já sujava a roupa'', diverte-se esse simpático filho de japoneses que cresceu em uma colônia de italianos no interior de São Paulo. Veio de lá, aliás, o apelido com o qual até hoje é chamado: Martim. ''Eles diziam que eu tinha que ter um nome brasileiro, então começaram a me chamar de Martim. E ficou até hoje'', revela.
Como gostava muito de pescar, seu Martim vivia distribuindo peixes pela vizinhança. Mas chegou uma hora em que os vizinhos já não aguentavam mais ganhar tanto peixe. ''Aí eu resolvi fazer sashimi com aqueles peixes. Quem vinha tomar pinga no bar eu dava para experimentar. E eles, que até então não tinham ideia do que fosse sashimi, diziam que era bom'', conta. Foi assim que Londrina começou a conhecer e consumir sashimi de peixes de água doce, como piapara e curimba (só muito tempo depois chegaria à tilápia).
O bar mudou-se para a Rua Belo Horizonte e depois, em 1992, para o atual endereço, na Rua Ivaí, 100, na Vila Nova, onde continua sendo referência quando se fala em sashimi.
A dificuldade inicial em cortar sashimi com agilidade foi sendo superada com a prática diária, mas ainda assim seu Martim não se dava por satisfeito. Começou então a ''inventar'' facas que melhor se adequassem à textura do peixe. ''As facas que vêm do Japão são feitas para peixes de mar, que não têm espinhos. Então não aguentam cortar o peixe daqui'', justifica. Depois de muitas tentativas, ele finalmente chegou ao formato, tamanho e material ideais para melhorar ainda mais o seu sashimi.
Modesto, ele até admite que a maioria dos pedidos de sashimi é feita por não descendentes de japoneses. Mas não assume que uma das razões para isso foi o seu próprio pioneirismo. ''Quando comecei a fazer sashimi, não imaginava que um dia ia ser assim'', desconversa.
Já o tempurá (R$ 11,80 a porção bem servida), outro carro-chefe da casa, é receita de sua cunhada. ''Queríamos fazer um tempurá com menos massa, bem sequinho, e deu certo'', relata. A receita, seu Martim não revela de jeito nenhum. Nem o segredo de sua faca, confeccionada apenas para uso próprio.
O Bar da Mocidade oferece ainda um cardápio extenso, com vários tipos de peixe (piapara, curimba, tilápia, anchova, cavalinha, pescada branca), preparados de diversas formas, como ao molho, empanado, assado inteiro etc. Um dos destaques é a Tilápia Aperitivo ao Alho e Óleo (R$ 21,10), suculenta e saborosa (essa receita ele deu, veja abaixo). No inverno, a casa serve pratos japoneses como sukiyaki e udon. É bom ficar atento também às promoções - às segundas-feiras, por exemplo, o sashimi de tilápia custa apenas R$ 13,70. O estabelecimento funciona de segunda a quinta das 18h às 23h30 e às sextas e sábados das 18h à meia-noite.

Tilápia Aperitivo ao Alho e Óleo
Ingredientes: 400g de filé de tilápia em tiras/ 50g de alho bem picado/ 30g de cebolinha picada/ 100g de farinha de trigo/ sal e pimenta a gosto/ óleo de soja para fritar
Modo de preparo: Tempere a tilápia com sal e pimenta a gosto, passe na farinha e frite em óleo quente. Em outra frigideira, frite o alho em um pouco de óleo até dourar. Acrescente a cebolinha, despeje sobre a porção de tilápia frita e sirva

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