GASTRONOMIA Iguaria do sertão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de junho de 2003
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
Tudo bem. Os ambientalistas não querem saber de palmito no prato. Têm suas razões, já que quase toda a indústria de conservas é abastecida com palmito retirado ilegalmente das matas e, sem grande higiene, cozidos e colocados em vidros improvisados até receberem tratamento melhor em novas embalagens, feitas sob medida para dar água na boca. Dentro delas, o palmitinho boiando em salmoura tem apelo irresistível que nos torna consumidores do ''fruto proibido'', mesmo sabendo da ilegalidade que, muitas vezes, transcorre do corte à prateleira.
Pelas regras, o palmito juçara só poderia ser cortado aos sete anos, mas ainda na ''infância'' muitos foram e são retirados para consumo. Tanto assim, que as embalagens com pedaços picados, que acabam em tortas e pizzas, são produto das palmeiras mirins. Uma agressão que se comete contra a natureza.
Por outro lado, o palmito está para o nosso paladar assim como o néctar para as abelhas. Índios e caboclos já o reconheciam como verdadeira iguaria, muito antes das embalagens atraentes chamarem a atenção para o produto. Em Londrina, durante a revolução de 1932, o racionamento - comum em várias regiões do País - transformou o palmito num dos poucos alimentos disponíveis. Ele era preparado de várias formas: cozido, grelhado, ensopado, em saladas. As cozinheiras soltavam a imaginação para preparar receitas com um único ingrediente.
Hoje, para comer palmito sem dor na consciência, o ideal seria vê-lo cultivado para consumo e não retirado sorrateiramente das matas. Ações para que isso se realize ainda têm pouco resultado. Por enquanto, ele continua caindo bem no paladar, em forma de saladas com folhas de alface, tomates, azeitonas pretas ou como ingrediente inigualável para recheios de tortas e empadões. Está longe de ser produzido em escala industrial para que seja comido sem culpa. A menos que se pense só no sabor e ...pronto. Mas isso é pouco para quem gosta da natureza.


