Gastronomia de tradição
Rumando mais ao norte do país, a Região Demarcada da Bairrada, confinada no triângulo que compreende Aveiro, Bussaco e Coimbra, é uma sucessão de colinas suaves em cujas encostas estão plantadas as videiras que dão bons vinhos de mesa, brancos, tintos e espumantes. Nesse cenário ficam quintas centenárias como as do Carvalhinho, de São Domingos ou nas Caves Primavera.
O nome Bairrada vem provavelmente por conta do solo de barro e argila e de sua recente demarcação, em 1979. Mas, garantem os enólogos locais, que desde meados do século 19 há uma demarcação não-oficial, para atestar a tradição secular como região vitivinícola. E vão ainda mais longe: como o vinho está ligado às atividades monásticas, conclui-se que a tradição remonta aos séculos 10 e 12.
Bons vinhos, culinária saborosa. O leitão da Bairrada está entre os mais tradicionais pratos da cozinha portuguesa. É espetado numa vara e assado durante quase duas horas em forno a lenha. Dois doces são típicos: os caramujos, feitos de gemas de ovos, moldados em folha de hóstia; e as cavacas de Luso, receita das freiras do Lorvão. Mas, sem dúvida, a grande atração dessa região está encravada na Floresta do Bussaco: é o Bussaco Palace Hotel, castelo erguido para servir de residência aos últimos reis de Portugal durante suas caçadas. Hoje, um dos melhores hotéis do mundo. Em estilo neomanoelino, tem suítes que aliam simplicidade ao bom gosto.
Sem contar a paisagem privilegiadíssima. Tem cedros, sequóias, acácias, freixos e árvores vindas de vários cantos do planeta e cuidadas por gerações de carmelitas descalças, que viveram em clausura por mais de 200 anos, entre 1630 e 1834. Uma muralha de mais de 5 mil metros protege a mata e, embora tenha várias entradas, apenas a Porta das Ameixas, a Porta da Serra, a Porta da Rai© nha e a Porta da Cruz Alta, se comunicam com as vias de trânsito. Cada uma tem a sua história para contar das bulas papais aos monumentos de guerra. (M.A.R.L./AE)





