GASTRONOMIA
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 2008
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Intrigas palacianas, não. Dizer que dom João VI gostava mais de frangos do que de Carlota Joaquina é a praticamente verdade, estando longe de querer pôr mais pimenta nas tramas da monarquia, que da vida privada à política e à mesa sempre deu o que falar.
Nos 200 Anos da Chegada da Família Real ao Brasil, Carlota que viveu para querer derrubar o marido ficaria enciumada se tivesse à mesa um confit de frango batizado de ''Delícias de Dom João VI''. Criação que rendeu ao paranaense Rapahel Hokari, o prêmio Chef Revelação - Região Sul, da Revista Gula.
Hokari faz parte da equipe de chefs do Termas Aguativa Golf Resort, em Cornélio Procópio, desenvolvendo a receita digna de reis e o colorido brasileiro, que fez dom João pensar mil vezes antes de querer voltar para Portugal.
Graduado em Gastronomia pelo Centro Universitário Senac - Águas de São Pedro, Hokari representa na cozinha o que o Brasil tem de melhor: a influência de várias culturas, recorrendo a um ditado chinês para pôr à mesa, os segredos, que vão além da técnica.
''Para os chineses um prato deve ser colorido, encantar todos as sensações e despertar os sentidos. Num único prato devemos ver diversas cores, distinguir o azedo do amargo, agridoce e crocante'', avalia o chef, que especializou-se em Ciência dos Alimentos pelo Centro Universitário Filadélfia, da Unifil, acreditando que ao unir o glamour da arte à ciência é possível ter um prato próximo da perfeição.
Perfeição que agradaria aos deuses, reis e os privilegiados mortais que têm o prazer de provar das ''Delícias de Dom João VI''. ''Para criar o prato, estudei a história da Família Real. Dom João era famoso por comer, depois de três frangos inteiros, cinco mangas de sobremesa. Pensando nisso, nasceu o 'Delícias', que une técnicas francesas e ingredientes brasileiros'', explica Hokari sobre o confit com chutney de manga, vagem ao alho, chips de banana e um molho de vinho tinto e do Porto, que na realeza do prato é a jóia que coroa a profusão de sabores.
Para preparar o confit, que em francês significa ''conversa'' e que nada mais é do que carne cozida na gordura, que pode servir também para a conservação, Hokari lembra que a temperatura do fogo não pode ultrapassar os 90 graus. Diferentemente da fritura, a gordura apenas borbulha num cozimento que varia de duas a três horas. Um bouquet de ervas, como tomilho, alecrim e louro se encarrega de despertar o aroma. O ponto ideal é quando a carne começa a soltar do osso.
O indiano chutney que, originalmente é preparado com mangas verdes, na versão Hokari é feito com as frutas maduras em fogo baixo. O acompanhamento faz referências ao Brasil Colonial e à época das especiarias, incluindo ingredientes como gengibre, pimenta dedo-de-moça e canela. O vinagre de maçã dá a acidez necessária.
A vagem é bem ao gosto português e espanhol, apenas salteada no azeite e alho. Quanto ao molho, pense numa jóia rara, extremamente valiosa e que os Brangança certamente brigariam para ter entre os seus tesouros.
Delícias de D. João VI
Ingredientes: Para o Confit de Galinha Caipira: 2 coxas com sobrecoxa de galinha caipira/ 6 dentes de alho esmagados/ 2 folhas de louro/ 1 ramo de alecrim/ 1kg de banha de porco/ sal e pimenta-do-reino a gosto.
Modo de fazer: Tempere a galinha com sal e pimenta. Derreta a banha de porco em uma panela alta e junte os temperos. Coloque as coxas e sobrecoxas e deixe cozinhar em fogo brando por cerca de duas horas. Retire as peças de galinha, coloque-as em uma assadeira e deixe dourar por cerca de
30 minutos.
Molho de Vinho do Porto
Ingredientes: 100ml de vinho do porto/ 100ml de vinho tinto seco/ 1 colher (sopa) de açúcar/ 1 colher (sopa) de manteiga gelada sem sal.
Modo de fazer: Junte os vinhos e o açúcar numa panela e deixe reduzir pela metade em fogo baixo. Desligue o fogo e adicione a manteiga gelada. Mexa rapidamente com um fouet até o molho engrossar e ficar brilhante.
Rendimento: 2 porções


