GASTRONOMIA
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sexta-feira, 20 de junho de 2008
Phoenix Finardi<br>Reportagem Local 
Na região de Lerroville (Zona Rural de Londrina), os milharais estão prontos para a colheita. Alegria para a família Vargas, que transforma muitas dessas espigas em delícias vendidas na Pamonharia Mineira, inaugurada há dois meses no Centro de Londrina. Além das pamonhas tradicionais e recheadas, há várias receitas de bolo de milho, bombocado, sopas, curau e um delicioso pudim que ganhou até apelido da freguesia: pedacinho de céu.
A pamonharia é nova mas a experiência dos Vargas é antiga. Eles trabalham com pratos à base de milho há 7 anos, desde que Ramatis Vargas, que era eletrotécnico, resolveu desistir da profissão e fazer algo diferente. Enquanto eu não encontrava uma nova atividade, decidi fazer pamonha e vender na rua. Com ajuda da mulher, Regina, Ramatis trabalhou durante 6 meses na rua e foi convidado para participar da Feira da Lua, onde têm barraca até hoje. Lá a gente tomou gosto pelo milho, foi inventando receitas, conta Ramatis. Ele diz que foram eles que começaram a vender pamonhas com recheios inusitados como lingüiça e goiabada.
Não são as pamonhas, no entanto, que detêm o título de campeãs de vendas. A honra fica para a sopa de milho. Temos também a canjiquinha com costelinha de porco, que é uma receita antiga de família, conta Ramatis.
Se quase todo mundo gosta de milho, no entanto, nem toda cozinheira acerta o ponto da pamonha e do curau. O milho também tem seus segredinhos. Fazer pamonha é complicado e trabalhoso. É preciso saber escolher o milho que dá a palha adequada e a massa perfeita. Muito branco ou muito amarelo, não fica bom. E não tem receita pronta, é preciso aprender com quem tem experiência, para saber se leva mais ou menos leite, deixa mais ou menos tempo no fogo, confessa Regina. Ela faz as pamonhas, prepara mais de cem litros de sopa por dia e garante que nunca errou a mão. Tenho prática, sou rápida, me concentro e gosto muito de cozinhar; isso é o mais importante.
Todos os quitutes da pamonharia são feitos pelas mãos ou têm a supervisão de Regina, que lida na cozinha de manhã até a noite. Mas nem tudo leva milho. Um dos doces preferidos pelos universitários que freqüentam o local é um pudim que eles batizaram de pedacinho do céu. Uma invenção de Regina, que leva leite em pó e condensado. O pudim dela é uma marca nossa, diz Ramatis, orgulhoso. Gosto muito de experimentar na cozinha. Joguei muito pudim fora até chegar na receita definitiva, brinca Regina.
Mesmo trabalhando na pamonharia o tempo todo, os Vargas não enjoam de milho. Quase todo dia ele está presente nas refeições da família. Regina gosta da pamonha salgada, as filhas preferem os doces. E apesar da fama de calórico do milho, ninguém está acima do peso. O que engorda mesmo é o açúcar, e não o milho, garante Regina. Na dúvida, é só pegar o ritmo de trabalho dela, que começa cedo e só pára lá pelas 22h. Não há caloria que resista.
A Pamonharia Mineira fica na R. Pará 935, no Centro de Londrina e funciona de 2ªa 6ªdas 9 as 19h e sábado das 9 as 18h. Mais informações pelo telefone 3324-2021.
Curau
Ingredientes: Seis espigas de milho verde/ cinco xícaras de (chá) de leite/ 300 gramas de açúcar/ canela em pó para polvilhar/ sal
Modo de fazer: Retire todos os cabelos da espiga, lave bem e rale. Em seguida, passe por uma peneira fina (para fubá), apertando entre as mãos e utilize um copo de água para retirar os resíduos. Em uma panela de cinco litros, coloque o líquido peneirado, junte o açúcar e acrescente uma pitada de sal e leve ao fogo, mexendo sem parar até obter um creme grosso. Aos poucos vá acrescentando o leite até chegar no ponto desejado (a gosto). Experimente e acrescente mais açúcar ou leite, se for necessário.
Obs: O ponto e a quantidade de açúcar e leite usados vão depender do milho, por isto escolha espigas bem amarelas (granadas).


