Recém-inaugurada, petiscaria mineira traz um novo conceito em gastronomia em que pratos típicos de Minas Gerais têm versões para aperitivos


  A riqueza maior de Minas Gerais não foi descoberta durante o Ciclo do Ouro pelos bandeirantes, mas foi justamente essa corrida ao tesouro, no século 18, que lapidou a culinária rica em sabores e tradição.
  Uma cozinha fortemente influenciada pelos bandeirantes e portugueses e que ganhou esta semana, em Londrina, com a inauguração do Paiol Petiscaria Mineira (Rua Humaitá, 769), um novo jeito de apreciar a mineirice de cardápios como o feijão tropeiro.
  Ao contrário dos restaurantes mineiros, que oferecem pratos típicos no almoço ou jantar, o Paiol lançou um cardápio de petiscos em que o feijão tropeiro aparece como se fosse tira-gosto. É o feijão ‘‘Pico da Ibituruna’’ (R$ 19,90), uma homenagem que os irmãos mineiros Dario e Marlene Grossi fazem ao ponto turístico de Governador Valadares (MG), cidade onde o prato é muito apreciado, também pelos que se aventuram em saltos de asa delta do alto da morro.
  Um tira-gosto que reza pela cartilha mineira da fartura, servindo muito bem para três pessoas. Acompanha uma porção de costelinha. O prato era tradicionalmente preparado pelos tropeiros, que ao saírem em viagem, levavam um suprimento de alimentos de fácil preparo. A petiscaria guarda um pouco dessa história da gastronomia das Minas Gerais.
  A combinação de feijão, lingüiça pura de pernil, ovo mexido, bacon, farinha e uma dose generosa de alho para temperar é uma opção para ser apreciada na companhia de uma cachaçacinha da região de Salinas (MG), conhecida mundialmente pela qualidade da bebida. ‘‘Entre os ingredientes do prato também temos o torresco, que é preparado antes porque precisa esfriar para que fique mais crocante’’, explica Dario, lembrando que além da opção Ibituruna, o feijão tropeiro é oferecido em porções para duas pessoas (R$ 9,90), sem o acompanhamento de costelinha.
  O empresário ressalta que no Sul do País não é comum o feijão tropeiro servido como aperitivo mas que em estados, como Minas, o prato é um companheirão numa rodada de cerveja e um dedinho de prosa.
  Com um charmoso bar, uma decoração clean e que foge dos tradicionais motivos mineiros que, geralmente, ornamentam os restaurantes de comida típica, o Paiol tem sugestões como a carne-de-sol (R$ 19,90). ‘‘A carne-de-sol é diferente do charque, que é mais conhecido na região. O sabor é bem distinto. Acompanha mandioca cozida’’, comenta Dario. Marlene acrescenta que a carne passa por um choque térmico ao ser preparada, o que a deixa com uma textura mais macia.
  Outra opção de petisco é a porção de iscas de dobradinha à milanesa (R$ 12,20). A iguaria cortada em cubos pequenos é uma das novidades da casa e que faz jus à tradição culinária mineira em que a festa acontece sempre ao redor de uma boa mesa.

Feijão Tropeiro
Ingredientes:
3 xícaras de feijão cozido e sem caldo
200 gramas de lingüiça pura de pernil frita
100 gramas de bacon frito
1 ovo mexido
1 xícara de chá de farinha de mandioca torrada
sal, alho e cheiro verda a gosto
Modo de preparar:
  Coloque todos os ingredientes numa vasilha grande. Menos a farinha, que deverá ser acrescentada depois e aos poucos.
  Misture os ingredientes sem utilizar colher ou garfo para que o feijão não amasse. O ideal é ir mexendo a vasilha para que os ingredientes se agreguem.

mockup