Antigamente, comer fora era um programa alternativo e marcado pelo glamour. Com a correria da vida moderna esse processo se inverteu, e poder fazer as refeições em casa acabou se tornando um privilégio para poucos. Em plena era dos fast-foods, ir para a cozinha preparar uma boa receita é um hábito cultivado como uma espécie de terapia para quem opta por fugir do estresse do trânsito, das filas dos restaurantes e de outros contratempos típicos de uma rotina agitada.
Pesquisas recentes apontam que cerca de 40% da população brasileira faz suas refeições fora de casa. Fato que pode justificar a crescente onda de pessoas que adotam a gastronomia como hobby. "O estilo de vida atual desagregou muito as famílias, então a comida virou uma maneira de você recriar reuniões familiares e de amigos. O fato é que a comida marca as pessoas, muitas vezes mais do que a conversa", diz o chef Marcello Sokolowski, professor do curso de Gastronomia da Unopar.
O docente destaca ainda outros aspectos positivos proporcionados por esses encontros à beira da mesa. "O prazer de estar junto e comer é uma coisa espiritual. Além disso, o próprio fato de ser uma atividade que exige atenção e precisão acaba sendo o segredo para fazer a gente tirar a cabeça do trabalho", aponta.
Agregar amigos em torno de pratos saborosos virou um programa habitual na casa do administrador de empresas Rafael Malucelli. "Eu e minha esposa preferimos ficar em casa e receber amigos do que ir a restaurantes, pegar trânsito, correr o risco de ser mau atendido, passar um tempão esperando pela comida que talvez nem seja tão boa", afirma.
Malucelli conta que passou a gostar de cozinhar quando se mudou da casa dos pais. "Morei um período fora e, cansado de preparar o trivial, acabei me aventurando no preparo de pratos mais elaborados. Acabei gostando da experiência e hoje reúno os amigos em jantares temáticos que preparo semanalmente", conta.
O administrador revela que sua especialidade é a culinária japonesa. "Aprendi a preparar alguns pratos com uma amiga do Japão que conheci na Austrália e depois fui me aprimorando e aprendendo outras receitas na internet. Também costumo preparar pratos mexicanos e reproduzo receitas do cardápio de alguns restaurantes que conheço em viagens. Sempre recorro à internet, onde geralmente encontro as receitas e até mesmo vídeos ensinando como a prepará-las. Depois vou adaptando os ingredientes até chegar ao ponto que acho ideal", destaca.
Além da motivação que sente ao encarar o desafio de preparar novos pratos, Malucelli destaca a sensação de bem-estar vivenciada em relação a tudo que envolve a gastronomia. "Durante o preparo das receitas a gente acaba se desligando de tudo. É desestressante. Gosto muito de fazer pesquisa sobre ingredientes diferentes no supermercado e de saber da origem de determinados pratos. Acho que isso amplia nossos horizontes. E ainda têm aquelas conversas animadas com os amigos na cozinha, que ajudam a passar o tempo enquanto estou preparando as receitas. A gastronomia é realmente como um terapia para mim", enfatiza.

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