GASTRONOMIA - Uma culinária delicada
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de outubro de 2002
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
Não existe comida mais delicada do que a japonesa. Desde a preparação dos pratos até a arrumação da mesa, os alimentos cuidadosamente cortados e dispostos em tigelas e potinhos lembram desde os brinquedos da infância até uma mostra de bibelôs que merecem ser bem tratados. Naturalmente ninguém, com um mínimo de sensibilidade, vai comer essas delicadezas aos bocadões, como quem belisca um churrasco. Um sushi caprichosamente enrolado ou o sashimi com seus temperos de praxe requerem gestos elegantes para chegar à boca. Apesar disso, observo que os japoneses conseguem comer rapidamente usando os hashis sem perder um grão de arroz, suspenso entre os pauzinhos que nunca consegui empunhar com segurança.
Para apreciar a comida japonesa, além da sensibilidade que considero fundamental, quem se senta à mesa deve ter um sentido de liberdade para com o paladar, gostando de aventurar-se por uma gama de sabores, sem preconceitos, por exemplo, como o de não misturar doces e salgados. Quem não conhece os molhos ou condimentos pode cuspir fogo se exagerar na raiz forte, tão picante que às vezes adormece a língua. Mas a coisa mais inusitada que já ouvi sobre essa culinária típica, diz respeito ao peixe venenoso servido nos restaurantes de Tóquio que exige do cozinheiro um cuidado especial na hora de retirar suas glândulas. Se o chef de cozinha se distrair ou não tiver grande experiência, os clientes podem morrer na mesa, pouco tempo depois de apreciar a iguaria que, dizem, é um presente ou uma maldição dos deuses. A degustação do tal peixe, comparada a uma roleta russa gastronômica, leva centenas de pessoas a saborear o perigo, combinando frio na barriga com barriga cheia tão logo o ''ritual'' termine bem. Se a desgustação terminar mal, devido à falta de prática do cozinheiro, bau, bau... A próxima refeição não será mesmo coisa deste mundo.
Esquecendo o inusitado, que é apenas um capítulo de culinária tão criativa, vamos embarcar nas delícias que não oferecem nenhum perigo e podem ser preparadas em casa, por quem tiver tempo e talento na cozinha, ou nos restaurantes japoneses que no Paraná estão em toda parte graças aos imigrantes. Eles incorporaram ao nosso cotidiano sua comida tradicional provando, neste caso, que beleza também se põe à mesa.
Tofu fresco com temperos
600 gramas de tofu (queijo de soja)/ gengibre fresco/ cebolinha verde picada/ katsuoboshi a gosto/ folhas picadas de shiso a gosto/ 2 colheres de sopa de shoyu (os produtos japoneses podem ser comprados em casas e mercados especializados)
Modo de fazer
Coloque o tofu num vasilha e deixe na geladeira até ficar bem frio. Um pouco antes de servir, corte o tofu em cubos iguais e disponha em tigelinhas individuais. Sobre o tofu, distribua o gengibre fresco ralado, as cebolinhas verdes, o katsuobushi e folhas de shiso picadas de modo decorativo. Regue cada porção com meia colher de chá de shoyu.


