Arroz com feijão podem ser servidos com elegância? O chef José Antônio Pinheiro Machado, apresentador de TV e autor do livro ''Anonymus Gourmet'' (editora LP&M) garante que sim. Para ele, uma comida simples também pode causar alegria e impacto, se for bem feita.
Através deste raciocínio, não é preciso incrementar os pratos com ingredientes caros e sofisticados quando quiser agradar. A menos que a ocasião seja mesmo especial e exija algo mais à mesa.
Para os cozinheiros, a graça de cozinhar está justamente em surpreender todo dia. É bom chamar a família para o almoço e perceber que o cheirinho do bife é sedutor ou que a salada enche os olhos dos vegetarianos de plantão. A simplicidade e a descontração são as melhores aliadas dos cozinheiros. É duro saborear um prato - mesmo sofisticado - feito por gente de cara feia que dá mais valor ao preço dos ingredientes do que à satisfação de servir algo simples e delicioso.
Na infância, quando formamos nosso gosto e a memória do paladar, certas comidas se transformam em nossos pratos prediletos. E continuam a ser durante toda a vida por evocarem a lembrança boa da comida da nossa mãe. Frango ao molho com polenta, carne de panela, a canja bem feita para quem está doentinho, para o resto da vida vão constituir um menu familiar e agradável. Assim como as sobremesas que contam com o imbatível pudim de leite, que agrada pirralhos e grandalhões porque faz parte da nossa memória gastronômica e afetiva. Entre estas delícias, quem pode esquecer os bolinhos de chuva? Os suspiros redondos saindo do forno? O bolo de fubá derretendo por dentro? Os pasteizinhos feitos na hora? Hummm... para celebrar tão gratas lembranças,
bom é ir para a cozinha e simplificar ao máximo. O melhor é que nem precisa receita.

mockup