GASTRONOMIA - Sorte nossa!
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Rafael Ceribelli <br>Reportagem Local 
Era um inverno rigoroso do ano de 303 d.C. e a neve se espalhava pelas montanhas do norte da Itália. Sozinho, condenado a morrer de frio e fome, um andarilho maltrapilho caminhava neste ambiente inóspito procurando por abrigo. Ao longe, uma lamparina fraca, dentro de uma casa de madeira, iluminava o vazio da noite. O mendigo bateu à porta, implorando por um prato de comida. Comovida pela situação, a família de camponeses acolheu com generosidade o estrangeiro, repartindo o jantar e oferecendo um lugar para ele descansar até o dia seguinte. Quando amanheceu, o misterioso viajante havia desaparecido, deixando uma moeda de ouro embaixo de cada um dos pratos da casa, e mais uma moeda para cada pedaço de nhoque que havia comido. Era dia 29 de dezembro, e nome do homem era Pantaleão, o santo dos enfermos.
Curiosamente, na Itália ninguém nunca ouviu falar desta história. O dia 29 de cada mês, que é marcado como data oficial para comer o ''nhoque da sorte'', é uma tradição exclusivamente sulamericana, que foi estabelecida - ninguém sabe exatamente por quê - pelos imigrantes italianos no Brasil, na Argentina, no Uruguai e na Venezuela. Aqui, a saborosa refeição é marcada especialmente para atrair boas energias e bastante dinheiro para o mês que está chegando.
''Antes, era muito comum relacionar o dia 29 de cada mês como uma data especial para o nhoque. Até hoje, tenho alguns clientes antigos que não abrem mão desse ritual'', explica Leony Alves da Silva, proprietária da tradicional Massaria Tarantella, que existe na cidade desde 1979. ''Mas esta é uma refeição que pode ser consumida todos os dias, porque é simples, rápida e muito gostosa'', ressalta.
Destacando o sabor natural em sua massa, o nhoque de batata da Tarantella é feito de maneira totalmente artesanal, seguindo os passos das receitas das mais tradicionais cantinas italianas. ''Para todos os tipos de massas o toque humano, o carinho no preparo, fazem toda a diferença. Por isso as massas industrializadas não ficam tão gostosas quanto as feitas em casa'', aponta Leony, orgulhosa com a fama de seu nhoque caseiro. ''Para mim, é uma satisfação saber que alguém gostou da minha comida, tanto o público mais novo quanto clientes fiéis, que também já são amigos há muitos anos. Isso, para mim, é a verdadeira fortuna do nhoque'', completa.
Variadas combinações
Adaptando de maneiras diferentes a receita do ''nhoque da sorte'', o restaurante Dá Licença também oferece, no dia 29 de cada mês, opções gastronômicas da massa feita para os paladares mais diversos. ''Aqui, nós exploramos os diferentes sabores que podem ser criados dentro de uma única receita. Nossos nhoques estão fazendo muito sucesso'', declara a chef Helena Maria Marques de Souza, responsável pela cozinha do restaurante. Além do tradicional nhoque de batata, o Dá Licença também possui no cardápio os sabores de batata doce, mandioca salsa, abóbora cabotiá e versões ao forno.
Sem batata ou mandioca, o sabor do nhoque de ricota com espinafre surpreende o paladar pela sua leveza, que possibilita uma combinação diferenciada de molhos. ''Para esta receita, eu recomendo usar molhos brancos a base de queijo, que contrastam o sabor forte com a suavidade da massa'', explica Helena, ensinando que um dos trunfos de qualquer massa é a possibilidade de trabalhar com diversos sabores. Segundo a chef, quanto mais experimentos na culinária, maior a sorte de seu prato ficar delicioso. ''Hoje, os vários tipos de nhoques são pontos muito fortes da casa'', comemora.
Serviço:
- Massaria Tarantella - Av. Maringá, 456. Tel. (43) 3327-2950
- Restaurante Dá Licença - R. Prof. João Cândido, 456/ Shopping Royal Plaza/ Shopping Catuaí. Tel. (43) 3323-3960



