GASTRONOMIA - Salseiro, não! Salsinha
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de agosto de 2003
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
Na Grécia antiga, as folhas de louro eram usadas para coroar os vencedores dos jogos que mais tarde deram origem às Olimpíadas. Mas além do louro, os ramos de oliveira ou então a salsinha também entravam na homenagem, já que a humanidade sempre manteve com as plantas uma relação simbólica, além de utilizá-las como alimento e remédio.
A salsinha planta popular que pode ser cultivada em vasos, canteiros ou, de acordo com novas técnicas, ser plantada na água em vez de na terra dando ao origem ao nome hidropônica é conhecida através da História como tempero e alimento que cura. Na cozinha, por ser barata ou simples de cultivar, é usada amplamente em saladas, sopas, molhos dando um toque levemente picante e original à comida. Rica em vitamina C, a salsinha também melhora a pele e previne ou trata cálculos renais pelo seu efeito diurético. Os antigos também costumavam tomar banhos de salsa para eliminar energias negativas, afirmando que seu aroma é capaz de manter à distância os maus espíritos e as pessoas nefastas.
Em Londrina, nas últimas semanas, a salsinha virou símbolo de protesto dos artistas, depois que foi instaurada uma Comissão Especial de Inquérito na Câmara de Vereadores conhecida como a CEI da Salsinha. O motivo, pouca gente entende, embora muito se comente. Num dos projetos patrocinados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, foram gastos R$ 27,31 na compra de ingredientes utilizados no preparo de um jantar, servido pelo grupo Sementes da Paz ao escritor Pierre Weil, que esteve em Londrina para uma palestra. E a salsinha estava lá...no prato! O episódio lembra a história de terror que se conta às crianças, com muito suspense:E o assassino de faca na mão... passava manteiga no pão.
Pierre Weil é autor de 37 livros, entre eles O Corpo Fala, Amar e Ser Amado, O Potencial da Inteligência do Brasileiro e As Fronteiras da Regressão. Pensador e pacifista reconhecido em todo o mundo, ele é também naturalista e, portanto, seus hábitos não se adaptam à comida servida pela maioria dos restaurantes. O grupo que o trouxe a Londrina optou por uma refeição caseira. O edital da Lei de Incentivo à Cultura permite gastos com alimentação. Ou seja, oferecer comida a escritores, cantores, pintores, atores...não é ilegal. Ao contrário do que pregam os que sacodem papéis com números sem se dar ao trabalho de verificar a legislação, a despesa e a ...receita.
Em homenagem aos naturalistas, passamos a seguir uma versão da salada light que leva os ingredientes do jantar que foi servido em Londrina. É boa para apurar o paladar e induz o gosto pelas coisas simples.
Salada naturalista(para seis pessoas)
1 maçã vermelha/ 200 gramas de cogumelo seco/ 200 gramas de tomate cereja/ 200 gramas de morango, 1 copo de requeijão light/ 1 ramo de salsinha (hidropônica ou não).
Hidrate os cogumelos secos colocando-os na água pelo menos 40 minutos antes de servir. Pique todos os ingredientes e misture-os delicadamente ao molho de sua preferência e ao requeijão. Salpique salsinha por cima e coloque um ramo para dar um toque de arte.


