GASTRONOMIA - Quitutes da vovó
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sexta-feira, 03 de fevereiro de 2012
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
Com a correria da vida moderna, nem sempre sobra tempo para fazer um bolinho caseiro, artesanalmente, sem aderir às facilidades das massas semi-prontas, os famosos ''bolos de caixinha'', como popularmente são chamados. As avós modernas também já não são como antigamente: muitas ainda estão na ativa, sem muito tempo livre, e nem sempre conhecem as receitas que suas mães costumavam fazer, como os bolinhos de chuva polvilhados com açúcar e canela - rápidos, fáceis de fazer e muito convidativos para um chá da tarde.
Os adultos, principalmente os na faixa dos 30, devem se lembrar dos famosos bolinhos de chuva da Tia Nastácia, um dos quitutes que apareciam no seriado Sítio do Picapau Amarelo e que davam água na boca.
E foi pensando em preservar - e também resgatar - o gosto pelos sabores simples, menos industrializados, com aquele gostinho de infância misturado com tradição, que algumas confeitarias ainda mantêm em seu cardápio produtos que mexem com a memória afetiva, principalmente das pessoas mais velhas. E, é preciso dizer, devem ser apresentados ao público mais jovem.
É o caso das brevidades, feitas em forminhas de papel da Confeitaria Central, na Vila Casoni, que tem mais de 50 anos de tradição. Vendidas por unidade ou no formato de um bolo pequeno redondo, é um dos produtos antigos mais vendidos do local - concorrendo com o pudim de farinha, quindins, bombas de chocolate e o saboroso bolo de frutas cristalizadas, cuja receita é guardada a sete chaves.
''Aqui a gente ainda trata o cliente pelo nome e tem pessoas que vêm até nós especialmente para comer quitutes que as confeitarias mais modernas já não fazem do mesmo jeito'', conta o administrador Lauro Kleber, 60 anos, que junto com o irmão Valdemar Kleber gerencia o negócio deixado pelos pais, de origem alemã e austríaca.
Lembrando um tipo de sequilho, já que levam amido de milho no preparo, as brevidades - que se esfarelam na primeira mordida - fazem uma combinação perfeita com uma boa xícara de leite com café. Os mais antigos ainda devem se lembrar do quanto esse tipo de sequilho costumava ser consumido nos cafés da tarde, tanto pelas famílias quanto pelos empregados rurais que encerravam antes do pôr do sol a labuta na roça. Guardadas em latas, as brevidades - às vezes feitas em formato de bolachas - tinham uma maior garantia de durabilidade.
Visitar a Confeitaria Central, que está com ares mais modernos após algumas reformas, ainda é fazer uma volta ao tempo em que Londrina tinha ruas estreitas, muitas casas de madeira e até local para os carrinheiros pararem seus cavalos para ainda bem cedo encherem as caixas de metal, na carroça, de pães fresquinhos que eram entregues de porta em porta. ''Chegamos a ter 50 carrinheiros que pegavam do nosso pão. Em 2007, a Folha fez uma matéria do último carrinheiro, o Seo Generoso, que agora se aposentou'', conta Kleber.
Bolos caseiros
Aquele cheirinho de bolo recém-saído do forno, que parece hipnotizar os mais desavisados, pode ser sentido pelos clientes que comparecerem às terças-feiras à Confeitaria Suissa, na rua Souza Naves. Sob nova direção há um ano, a tradicional confeitaria - fundada em 1968 pelo suíço Otto Anwander - agora disponibiliza a seção ''Caseirinho'' para alegria dos fãs de bolos simples, sem recheios e que lembram bem os quitutes das vovós de antigamente.
Tem bolos de laranja, limão, maracujá, formigueiro, milho, fubá com goiabada, nega maluca e o tradicional bolo de banana, que podem ser vendidos inteiros ou aos pedaços. Com massa alta e extremamente fofinha, o bolo de banana faz sucesso com suas bananas caramelizadas, que enchem o ambiente com seu aroma característico, rendendo elogios à confeiteira Hadriana Walléria Costa.
''Essa ideia dos bolos mais caseiros foi bem aceita pelos clientes e toda semana temos algum produto em promoção'', conta a gerente Cinthia Marques, 30 anos. À frente de um negócio com 44 anos de tradição, Cinthia afirma que está sendo um ''aprendizado interessante''. ''É um desafio constante, pois precisamos manter o nome, a tradição e a qualidade dos produtos'', avalia.
Ela também informa que produtos tradicionais da confeitaria - como o famoso Bolo de Morango com Suspiro - continuam sendo produzidos no local, que também disponibiliza aos clientes pães (francês e integrais), salgados (os quiches fazem muito sucesso), sobremesas, café e sucos naturais. Eles também aceitam encomenda dos tradicionais bolinhos de chuva, de massa mole, colocada às colheradas no óleo quente, já que a mãe da Cinthia, a pedagoga Sandra Marques, 51 anos, é daquelas avós jovens (ela é avó da Giulia, de 7 anos) que felizmente ainda preservam o valor das receitas passadas de mãe para filha...
Serviço
- Panificadora e Confeitaria Central - Rua Caraíbas, 199. Tel. (43) 3322-3106.
- Panificadora e Confeitaria Suissa - Rua Souza Naves, 1.682. Tel. (43) 3322-4873.


