GASTRONOMIA - Quem quer pão?
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
Alimento primordial, ele está nos textos bíblicos e também no couvert de qualquer restaurante sempre muito bem acompanhado. O pão é assim: aceita quase tudo como recheio, alimenta e satisfaz os paladares mais exigentes e, hoje, é encontrado em tantas receitas que fica difícil olhar para tudo aquilo nas padarias e escolher um só. Campeão de vendas no Brasil, o pão francês é referência do custo de vida: quando sobem seu preço os consumidores chiam, afinal, ele é básico, insubstituível no cotidiano.
Por falar em pão francês, os conterrâneos de Jacques Chirac não sabem por que o pão salgado, tipo padrão, tem este nome no Brasil. Certamente, se pesquisarmos os costumes, vamos encontrar o motivo para que ele tenha este nome. Nosso país, por influência da Corte Portuguesa estabelecida no Rio de Janeiro, foi muito influenciado pelos costumes europeus. A família imperial - que por sinal fugiu da invasão francesa na Europa - nos deixou legados que chegam até ao sambódromo, onde as mesuras da porta-bandeira e do mestre-sala têm tudo a ver com a finesse do Velho Mundo. Tudo mesclado ao bom samba brasileiro porque, como se sabe, nossa raça é antropofágica, mastiga e engole bem outras culturas.
Mas estamos aqui para mastigar o pão. E o chef francês Jean-Marc Berthomier, que esteve no Brasil este ano, revelou que acha perfeito o nosso pãozinho com manteiga aquecido na chapa e servido com uma boa xícara de leite com café de manhã.
Para quem gosta de variar, há pães industrializados que seguem receitas clássicas como o pão de centeio com avelã e passas; os pães de aveia e mel e até com sementes de linhaça, que auxiliam a digestão e são indicados em dietas naturalistas.
Mas vamos reverenciar ''o pão nosso de cada dia'', lembrando os conselhos que passam de mãe para filha: usar sempre uma farinha de boa qualidade, água pura, filtrada e misturar perfeitamente a massa no tempo recomendável. Uma dica é colocar uma tigelinha refratária com água dentro do forno para se obter o vapor indispensável durante o cozimento do pão.
Para não errar, passamos a seguir uma receita de pão francês do chef Berthomier. Boa sorte e bon apetit!
Receita básica
(Pão de sal)
Ingredientes - 250 gramas de farinha de trigo; 160 mls de água (gelada, aproximadamente a 13 graus C); 6 gramas de sal; 5 gramas de fermento biológico fresco.
Preparo
Pese todos os ingredientes. Coloque na batedeira, utilizando o batedor ''gancho'', a farinha com o fermento (já dissolvido com as mãos). Acrescente 140 mls de água e bata em velocidade baixa - em média por 5 minutos. Junte o restante da água em fio e aumente a velocidade da batedeira, batendo por mais 10 minutos, ou até que a massa fique bem lisa. Desgrudar a massa utilizando farinha de trigo e comece a boleá-la sobre uma mesa lisa polvilhada com um pouco de farinha. Deixe-a descansar por 30 minutos, coberta com um plástico, sem fechá-lo totalmente para não impedir o crescimento.
Bolear novamente sem forçar a retirada do ar e descansar por mais 30 minutos. Cortar em tamanhos de 65 gramas, modelar em forma de bisnaga utilizando pouca farinha de trigo e cuidado para não perder totalmente o gás, colocando-os em uma assadeira previamente untada com gordura ou margarina.
Levar para fermentar em ambiente fechado para que a massa não resseque por aproximadamente 1 hora. Após a fermentação, com uma faca afiada, dê um corte raso no centro do pão. Borrife água sobre a superfície para obter crocância, levando para assar em forno pré aquecido a 250 graus C, de 18 a 22 minutos (observe a coloração do pão para retirá-lo do forno).


