''Quem melhor que a gente canta? Quem melhor que a gente dança? Procure no mundo uma cidade / Com a beleza e a claridade / do luar do meu sertão''. Os versos da bela música 'Exaltação ao Nordeste', composição do músico pernambucano Luiz Gonzaga, capturam perfeitamente o espírito e a forte identidade regional deste canto do país. Debaixo do sol escaldante e em meio aos contrastes entre a natureza exuberante e o clima desértico, a alegria contagiante e as dificuldades sociais, as praias maravilhosas e a beleza nos sertões, a alma nordestina - ímpar no Brasil e no mundo - carrega em si uma imensidão de sentimentos e sensações.
A energia do povo nordestino também é fielmente traduzida pela sua culinária típica que, bastante condimentada e baseada em ingredientes pesados, proporciona sabores deliciosos e únicos, mas que exigem uma certa adaptação do paladar. ''Eu procuro mudar alguns sabores para o gosto do londrinense. Por exemplo, eu já tentei colocar coentro nas minhas receitas, mas esse ingrediente não agrada por aqui'', admite a cozinheira paraibana Rosicleide dos Santos Oliveira, que há oito anos montou na cidade a barraca Recanto Nordestino, atração de todas as quartas, quintas e sextas-feiras dentro da tradicional Feira da Lua. ''No começo, foi difícil. No primeiro ano, eu patinei na Feira mas, pouco a pouco, o pessoal foi conhecendo o cardápio. Antigamente, minha equipe era minha família. Agora, eu treino as pessoas para trabalharem comigo'', aponta Rosicleide, orgulhosa.
Um dos pedidos mais famosos do Recanto é a deliciosa dança gastronômica do Baião de Dois, que mistura em um só prato dois eternos protagonistas na culinária brasileira - o arroz e o feijão (de corda) - junto com uma porção generosa de carne de sol e calabresa frita. ''Esse é, com certeza, o carro-chefe da barraca. Tem dias que acaba a panela inteira do Baião, e ficamos em falta'', ressalta Rosicleide. O sucesso da receita é bem justificada pelo tamanho do prato e pela combinação de sabores infalíveis, cuja consistência acalma qualquer fome.
Queimando mais do que uma brisa em dias de verão, o típico acarajé baiano também é oferecido no cardápio do Recanto. A receita, que pode ser apreciada nas versões fria (sem pimenta), morna (meio apimentada) ou quente (muito apimentada), é a pedida certa para quem quer conhecer o forte sabor nordestino. ''Só o pessoal de lá mesmo é que aguenta a versão quente da receita. Essa é brava!'', adverte Rosicleide, alertando para o sabor peculiar do bolinho de feijão fradinho frito, recheado de vatapá com camarão. ''Quem gosta, gosta muito. Tem gente que vem de outras cidades daqui de perto só para comerem essas receitas. Eu tenho clientes de oito anos atrás que vinham quando eram meninos e hoje em dia eles já estão enormes, tem família e tudo'', relembra.
Serviço - Recanto Nordestino (Todas às quartas (no Zerão), quintas ( ) e sextas ( ) na Feira da Lua)

Imagem ilustrativa da imagem GASTRONOMIA - Pedacinho do Nordeste