GASTRONOMIA - Para cada tipo, um prato
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de setembro de 2002
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
Alguém já disse que cozinha combina com humor. Deus nos livre de gente de cara feia, soltando fogo pelas ventas, parecendo ''vítima'' das panelas e dos recheios. Pois se o assunto é cozinhar de bem com a vida recorro ao livro ''Quero Comer!!!'', escrito pela atriz Regina Dourado - a baiana Marilza da novela ''Esperança'' - lançado no ano passado pela Ediouro. Mais do que um livro de receitas, ela descreve os tipos que podem vir para jantar e, para cada um, elabora um cardápio levando em conta sua personalidade. Na verdade, Regina escreveu um livro de sedução a partir da culinária e criou pratos para tipos sofisticados, caseiros, ''muquiranas unhas-de-fome'', prazerosos, egóicos, populares, ''bons de boca'' e o que mais existir mundo afora. O caseiro, por exemplo ela identifica como aquele que morre de preguiça de sair, preferindo ficar pelos cantos, feito um molambo, tristinho, dando sempre a impressão que odeia companhia e novidade. Sinceramente - e o que vou dizer não está no livro - acho interessantes as pessoas que sabem a hora de se recolher, mas o excesso de solidão ou privacidade, como queiram, também pode cheirar a neurose e aí esbarramos com pessoas que nunca atendem o telefone, tem pavor de campainha, odeiam visitas, não fazem amigos e quando encontram um parceiro ou parceira pobres vítimas transformam a pessoa no centro do universo, no fundo, no fundo, guardando bem a porta de casa para que o ''troféu'' não escape. Você conhece alguém assim? Para este tipo dissimulado, Regina Dourado sugere pratos rápidos, daqueles que levam ingredientes simples porque, afinal, pessoas que morrem de medo do mundo não vão atravessar a cidade para percorrer com você os mercados, cheios de gente, a fim de comprar temperinhos e molhos.
Mas se o seu amor não é um neurótico, mas sim um tipo popular, relaxe. Segundo a autora, essas pessoas são as que mais agradam donos de bares e restaurantes, porque adoram ficar nestes locais jogando conversa fora, embalados horas a fio por bebidinhas e comidinhas sempre bem-vindas, não importa o gosto ou procedência. Por serem assim, fáceis de lidar, Regina Dourado nem sequer elaborou um cardápio para estes tipos. Afinal, eles gostam de tudo.
Para agradar gregos e troianos, escolho uma receita em que o principal ingrediente é o tomate, fruto que considero vibrante, capaz de dar um toque de alegria a qualquer mesa. Vamos lá, mas antes recomendo: leiam o livro, é divertidíssimo porque das páginas saltam diferentes personalidades, todas podendo ser identificadas com pessoas de carne e osso.
Tomate à Diablo
8 tomates grandes e supervermelhos
350 gramas de mozzarella picadinha
2 gemas cozidas amassadas
1/2 xícara de azeitonas pretas, sem caroço, em pedacinhos
1 colher de sopa de salsa picada
2 colheres de sopa de azeite de oliva
Sal a gosto
Modo de fazer
Corte a tampa superior dos tomates e com auxílio de uma colher retire as sementes e a polpa. Passe um pouquinho de sal e vire-os com as abertruras para baixo sobre uma peneira para escorrer. Jogue as sementes fora e aproveite a polpa picadinha, junte a ela o azeite, o mozzarella, a salsinha, as gemas e misture tudo. Adicione meia xícara de azeitonas pretas e mexa para rechear os tomates, coloque as tampas de novo, arrume numa assadeira, regue com mais azeite e leve ao forno médio, sem deixar assar muito. O tempo ideal, segundo a receita, é entre 20 e 30 minutos.


