GASTRONOMIA - Para as mães, com carinho
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quinta-feira, 09 de maio de 2013
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
"Minha mãe cozinhava exatamente arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas. Mas cantava." Com beleza singela a poeta mineira Adélia Prado conseguiu retratar com maestria a simplicidade do dia a dia de tantas mães pelo Brasil afora. Algo semelhante ao que a gastróloga e personal chef Angela Constancio, 45 anos, vivenciou com a própria mãe, Iraci Ferreira Vicente, de 69 anos. "Minha mãe sempre trabalhou, era uma mulher prática, que não tinha muito tempo para cozinhar, mas que sempre preparava uma comida reconfortante, que preenchia a alma", conta a cozinheira.
De origem mineira, a mãe de Angela fazia questão de aproveitar o final de semana para apresentar alguns dos quitutes da culinária mineira. Tutu de feijão, couve, torresmo, galinhada e doces sempre fizeram parte do cardápio.
Especialmente para a data que homenageia as mães, Angela preparou uma releitura contemporânea da galinhada mineira e um trio de sobremesa, composto de um saboroso doce de leite (que leva sete horas para ficar pronto), doce de abóbora com coco e queijo branco. "Esse seria um almoço de domingo típico na minha casa, mas com um toquezinho de chef", brinca Angela, lembrando que no Dia das Mães quem toma conta da cozinha é a sua mãe. "Eu só ajudo um pouquinho porque ela faz questão de fazer do jeito dela, que é delicioso."
Mãezona declarada, Angela é só elogios quando fala da sua mãe: "Ela é uma mulher maravilhosa, que sempre me ajudou. Foi com o seu apoio que decidi cursar gastronomia aos 42 anos, e ela contribuiu em todos os sentidos. Sou grata pelo seu amor e vejo o quanto o que aprendi com ela influenciou o meu trabalho como chef, já que sempre estou em busca de valorizar a simplicidade, a capacidade de transformar os ingredientes simples em algo que surpreende", destaca.
Mãe de duas filhas a jornalista Karina, 21 anos, e a estudante Kawana, 14 anos -, ela também viu na maternidade a oportunidade de retribuir todo o amor que recebeu. "É um tipo de amor muito forte e sou grata à vida por tudo que recebi", diz. "Quando a minha filha mais velha nasceu, fiz uma bolachinha de maisena para receber as pessoas que vinham visitá-la e até hoje, em todo aniversário dela, repito a receita, contando com a ajuda da minha filha mais nova", lembra. "A minha irmã faz questão de comer as bolachas nesse dia, ela brinca que é a sua 'memória emocional'", comenta a caçula Kawana. "A minha mãe realmente é especial e sei que o amor dela é eterno e incondicional", ressalta.
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