Curitiba - Não é preciso ser um especialista para escolher um bom vinho. Também não é preciso gastar meses debruçado sobre livros temáticos para servir e degustar a bebida. Parceiro ideal para o inverno, o vinho está se tornando cada vez mais próximo da população brasileira. Algumas dicas, no entanto, devem ser levadas em conta na hora de saborear a bebida e garantir o sucesso dos encontros regados à bebida de Dionísio.
A Folha foi até o estado berço da produção nacional, o Rio Grande do Sul, para saber como garantir a escolha de um bom vinho até pelos menos experientes. Em menos de duas horas, o enólogo Adolfo Lona, diretor de operações da De Lantier Vinhos, de Garibaldi (RS), deu dicas para quem quer apreciar o vinho, a começar pelo copo. Segundo o enólogo argentino, radicado há 30 anos no Brasil, ''o vinho pede taças transparentes, para a textura da bebida ser observada com clareza, e com borda larga para promover a movimentação e o aroma ser sentido com mais facilidade.''
Na hora de escolher o tipo de vinho, o enólogo dá uma notícia boa e outra ruim. A boa é que a produção brasileira está cada vez mais perto dos sabores dos grandes vinhos importados, tendo como vantagem a diferença de preços. Os nacionais, claro, são mais baratos.
A má notícia é que não existe fórmula para escolher esta ou aquela marca ou tipo de vinho sem medo de errar. ''Não existe regra, um vinho bom é aquele que você gosta e para escolher é preciso ter curiosidade, até acertar'', diz. Ele aconselha que o rótulo e a origem do vinho sejam sempre levados em consideração e revela ainda que o consumidor deve fugir de rótulos que não dizem nada. ''Blanc de blanc'', por exemplo, pode ser pomposo, mas traduza ao pé da letra e você terá a informação óbvia que a bebida é um vinho ''branco, feito com uvas brancas''.
Para facilitar a escolha, aposte na tradição e opte pelos vinhos brancos para acompanhar os peixes e tintos para carnes vermelhas e massas. Os brancos devem ser resfriados num balde de gelo por 20 minutos antes de servir, para ressaltar o sabor. Os tintos, se necessário, devem ser resfriados apenas por dez minutos.
O balde de gelo, explica o enólogo, está longe de ser adorno. A bebida não pode ser colocada na geladeira antes de ser aberta porque a retirada da rolha vai ficar bem mais difícil. A retirada da rolha da garrafa, aliás, é outro ritual que pode colocar por água abaixo o jantar e o próprio vinho. Para reduzir os riscos, Lona aconselha ter à mão um bom saca-rolha. O ideal deve ter a distância simétrica entre os anéis para não moer a rolha, que deve ser natural e estar seca.
Tendo à mão um bom saca-rolhas, uma grande e transparente taça e uma refeição à altura, basta servir e saborear a bebida. No Brasil, esse ritual está ficando cada vez mais comum, fazendo com que os produtores invistam cada vez mais em tecnologia para atrair mais consumidores. Somente a safra de uvas de 2003 no Brasil já produziu 380 milhões de litros de vinhos, entre tintos e brancos. Parte dessa produção será escoada ainda este ano, com os vinhos jovens como os gamay. Mas muitos tipos serão comercializados somente daqui a três, quatro anos ou até mais, dependendo do produto. O consumo de vinho no País está estacionado, nos últimos cinco anos, em dois litros per capita por ano. Na Itália, o consumo per capita é de 40 a 50 litros por ano e na Argentina de 36 litros per capita por ano. A De Lantier, em Garibaldi, que elabora, entre outros vinhos, o Chateau Duvalier, oferece desde 1988 um curso de degustação para leigos e já atendeu 17 mil pessoas. Além de ensinar algumas das dicas aqui citadas para apreciar uma boa bebida, o curso trata de uma coisa essencial para quem não abre mão do vinho, seja ele tinto ou branco, seco ou suave: a moderação.
A repórter viajou para o Rio Grande do Sul a convite do grupo Sonae.

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