Chegou a hora de brindar. Seja pelas conquistas obtidas ao longo do ano que se encerra ou pelos votos de paz, saúde e prosperidade para 2013. Em ocasiões com essas, o espumante é a primeira bebida a ser lembrada. No entanto não é raro encontrar pessoas que chamam qualquer tipo de vinho borbulhante de champanhe. Também é comum ocorrer confusão entre espumantes e frisantes e dúvidas quanto ao tipo de bebida combina com determinado alimento.
O champanhe é um vinho espumante que só pode levar esse nome se for produzido na região de Champagne, uma província francesa. Ainda que utilize o mesmo tipo de uva e o mesmo método de produção, qualquer espumante fabricado fora desta área geográfica está terminantemente proibido de ter essa inscrição em seu rótulo.
"Na Europa, este tipo de regra é levada muito a sério", explica Renato Bigati, proprietário da Gustare Vinhos. Ele esclarece que os espumantes são vinhos que passam por duas fermentações. "Esse processo faz com que as uvas liberem naturalmente o dióxido de carbono responsável pela famosas bolhinhas", esclarece.
Segundo Bigati, existem duas formas de produção dos espumantes. "Há o método champenoise, em que a fermentação ocorre dentro da própria garrafa. É o mesmo processo do champanhe e que exige manipulação manual das garrafas, que precisam ser viradas diariamente, num processo que pode levar meses ou até anos. Tem também o método charmat, em que a fermentação é feita em tonéis de aço inoxidável antes da bebida ser engarrafada. É uma maneira mais rápida e menos dispendiosa que torna a produção mais barata", explica.
O consultor de vinhos Flávio Kikushi, que trabalha na Enoteca Jardins, enfatiza que além do método de preparo, o que valoriza ainda mais um vinho é a boa safra das uvas com que ele foi produzido. "Quando o espumante é produzido somente com excelentes uvas de uma boa safra ele fica com sabor mais apurado e um valor mais elevado. Existem outros que levam uvas de safras diferentes. Essas informações podem ser conferidas no rótulo das garrafas", informa.
Kikushi diz que o preconceito em relação ao espumante diminui à medida que o cliente tem mais informações sobre o produto. Ele revela ainda que o espumante rosé sofre ainda mais discriminação que os espumantes brancos, principalmente por parte do público masculino. "Devido à cor rosada, muitos clientes se recusam a comprar esse tipo de espumante. É uma pena pois essa cor é obtida naturalmente através do contato da uva com a casca e os espumantes rosé costumam ser mais encorpados e com sabor mais intenso em relação aos demais", enfatiza o consultor.

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