GASTRONOMIA - Delícias das esquinas
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
O relógio corria rapidamente nos idos de 1900, em plena ascensão das luzes da Revolução Industrial. Em um belo final de tarde, nas ruas efervescentes da capital francesa, milhares de parisienses caminhavam apressados para voltar para casa, exaustos ao final de uma longa jornada de trabalho. Aproveitando o momento, alguns cozinheiros da cidade montavam barracas nas ruas e avenidas mais populares, oferecendo conforto em pequenas porções de massa de pão recheada, que saciavam a fome dos trabalhadores. No meio da multidão, o olhar atento de um homem acompanhava todo o movimento das ruas, e identificava uma grande oportunidade gastronômica; foi assim que o padeiro holandês Kwekkeboom teve a ideia, em uma de suas experimentações culinárias, de inventar uma versão cilíndrica da comida de rua de Paris, ideal para ser consumida 'en passant', pelos pedestres que não podiam perder tempo parando para consumir uma refeição. Segundo o livro ''Stória dell'alimentazione'' (Ed. Latenza), em 1909 o holandês deu luz à sua mais célebre receita: deliciosos bolinhos fritos de carne, batizados de krokets.
Nos Países Baixos, os saborosos bolinhos ganharam um imenso espaço no cardápio popular; atualmente, os vendedores de rua foram substituídos pelas cabines 'automatiek' - máquinas localizadas em locais públicos e que vendem bolinhos fritos na hora - e os centenários krokets de carne receberam até uma homenagem da rede de fast-food McDonald's da Holanda, única no mundo que serve o sanduíche McKroket. Logo depois da sua invenção, no começo do século XX, a receita, em forma de pequenas porções, se espalhou para a Alemanha e para a Bélgica, ganhando diferentes recheios e sendo adaptada para o paladar de cada canto do mundo (ver box). Não importa aonde você esteja, uma versão dessa delícia gastronômica vai estar presente em seu happy hour.
''Nós temos a necessidade de sempre lançar sabores diferentes, inovando nos bolinhos'', afirma Raul Bueno, sócio do bar Da Silva, especialista em algumas receitas desse famoso petisco. ''É um cardápio que se renova sempre. Hoje, servimos variações da receita com recheios de frango e queijo, pernil e bacalhau, entre outras'', explica. Dois saborosos exemplos dessas delícias estão materializadas nas surpreendentes porções de bolinhos de mortadela - sequinhos e macios - e bolinho de arroz com calabresa. ''Algumas receitas foram inventadas aqui, e outras foram adaptadas do cardápio de outros bares, de São Paulo e Curitiba. Todos os sócios do Da Silva adoram esse tipo de comida de botequim. Nós somos botequeiros, mesmo'', completa, rindo.
Outro lugar em Londrina que possui uma variedade deliciosa dessas receitas é o Mercado Guanabara, reconhecido pela excelência de seus produtos gastronômicos. ''Nós já incluímos no cardápio o croquete de camarão, o bolinho de peixe e o de pato desfiado, mas as pessoas realmente saem de suas casas para comerem os sabores mais tradicionais'', aponta o empresário e chef Alexandre Guimarães, proprietário do Mercado. A preferência do público pelo tradicional é evidenciada pela irresistível porção de croquetes de abóbora com carne seca que, com bolinhos recheados generosamente, é a escolha certa para qualquer reunião entre amigos. ''Não se pode economizar em culinária, e uma boa quantidade de recheio é essencial para uma ótima porção. Nós temos todo um carinho para desenvolver a melhor combinação de sabores possível'', completa.
Serviço -
Bar Da Silva (Rua João Cândido, 868)
Mercado Guanabara (Rua Assunção, 189)


