GASTRONOMIA - Dalí na cozinha
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de maio de 2004
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
Não era só pintando que ele entrava em órbita, quando se via à frente de um bom prato de comida Salvador Dalí também arregalava os olhos e sentia o mesmo prazer que fez dele um das figuras mais criativas e irreverentes da arte moderna. No mês em que se comemora seu centenário - ele nasceu em 11 de maio de 1904 - exposições e livros lembram a obra do surrealista e histórias sobre seu comportamento dão a receita de sua personalidade: porções de perturbada criatividade recobertas por formas artísticas que chamam a atenção pelo inusitado. Se a obra de Dalí parece indigesta para alguns, para outros soa como uma sinfonia de cores e linhas ou, antes, como uma torta de ingredientes exóticos.
Para comemorar a data, a editora Destino, da Espanha, vai lançar a ''Obra Completa de Salvador Dalí'', oito volumes que tratam de diversas facetas do pintor catalão. Chamam a atenção depoimentos e entrevistas que revelam que, aos 6 anos, Dalí não queria ser pintor e sim cozinheiro. Mesmo mudando a rota, tornou-se mais tarde um grande gourmet, com a ressalva de que não era chegado a bebidas: ''Parei de beber porque sou fundamentalmente ligado à inteligência '', dizia.
O gosto de Dalí pela cozinha aparece em diversas de suas obras: ''Ovos-Estrelados sem Prato''; ''Retrato de Gala com Duas Bistecas de Carneiro'' (Gala foi musa e mulher do pintor) e o ''Telefone Lagosta'', entre outras. Na hora da comida, ele preferia os frutos do mar, lembrança de sua infância na vila de pescadores em Cadaqués. Por conta disso, a revista ''Gula'' deste mês, pediu ao chef Rafael Rios Escalona, do restaurante Dom Curro, de São Paulo, que preparasse receitas que certamente teriam tudo a ver com o gosto de Dalí. Uma destas receitas reproduzimos a seguir:
Lagostins à Moda de Gala
(para quatro porções)
Ingredientes: 8 lagostins/ 1 cebola roxa/ 2 cebolas brancas/ 1 amarrado de tomilho, louro, talos de salsinha e aneto (dill)/ 1 alho-poró (parte branca/ 2 talos de aipo/ 150 mls de vinho branco/ 50 mls de vermute seco/ 50 mls de brandy/ 10 grãos de pimenta-do-reino branca/ 1 pitada de acúçar/ Água fria para cobrir.
Modo de fazer: Numa panela grande coloque os lagostins e os demais ingredientes. Leve ao fogo e deixe ferver em fogo branco por cerca de 20 minutos. Retire os lagostins e passe o caldo do cozimento por peneira fina. Reserve. Monte os lagostins nos pratos. Acompanhe com o caldo quente, servido separadamente.


