GASTRONOMIA - Dá gosto só de ler!!
A cozinheiro mineira Maria Mazzarello Lanna França Pinto, a Mazzô, está lançando um livro de receitas em que combina sabor, simplicidade e charme
ReproduçãoReproduçãoLivro de Mazzô traz 83 receitas
Rosane Barros
De Londrina
É possível que algumas pessoas tenham nascido predestinadas a dar forma aos alimentos. Modelam sabores e texturas com a mesma facilidade com que o artista modela a argila para dela extrair sua mais bela criação. Se não for assim, fica difícil explicar tanto talento para a culinária nas mãos de tão poucas pessoas. Maria Mazzarello Lanna França Pinto, a Mazzô, parece ser uma dessas privilegiadas. Conhecedora profunda da alquimia dos ingredientes, essa cozinheira mineira que há 20 anos coordena banquetes, festas e jantares até agora restritos a gourmets dos grandes centros, decide levar sua arte à plebe através do livro Receitas da Mazzô (Editora Bei, 104 páginas, R$ 16,00).
Todas as suas receitas são uma demonstração do seu talento e da sua intuição e sensibilidade ao combinar tão bem o gosto e os ingredientes brasileiros, diz Bettina Orrico, que assina o prefácio.
Como o próprio subtítulo sugere, o livro é uma combinação de sabor, simplicidade e charme. Mazzô nos brinda com receitas fáceis e, o principal, que dão certo e podem ser experimentadas até por quem não conhece direito o caminho da cozinha.
Através de 83 receitas, a autora foge do óbvio tanto nos aperitivos, sopas e entradas frias como nos nomes que dá a alguns de seus pratos. Exemplo são os sugestivos Cabra da Peste (leia receita abaixo) e o Falso Ovo. Aliás, Mazzô transforma os ovos nas vedetes de seu livro, sejam eles enformados, cremosos ou revoltos. E, na sua mineirice, encontra na omelete uma saída digna para as sobras de espaguete - aquelas que ficariam esquecidas no fundo da geladeira de cozinheiros pouco originais (leia receita abaixo).
O passeio gastronômico continua pelos molhos para massas, pelas tortas, acompanhamentos, carnes, aves e frutos do mar. Para quem não sofre com as revelações cruéis da balança, Mazzô fecha o leque dos prazeres degustáveis com elas: as sobremesas.
Dicas e sugestões - segredos aprendidos ao longo dos anos - completam o volume. Afinal, só mesmo quem tem a experiência e consegue passar longe de modismos e artifícios pode mostrar que extrair mais sabor do alho e da cebola, por exemplo, é quase uma brincadeira. É só refogá-los no óleo ou gordura ainda frios, ensina a cozinheira. E quem não precisa de truques como este para comer algo além de um prato congelado?
Omelete de espaguete
Ingredientes
3 ovos
sal e pimenta-do-reino moída
300 g de espaguete cozido (pode-se usar sobras de espaguete com qualquer molho)
4 colheres de sopa de molho de tomate pronto
2 colheres de sopa de azeite de oliva
Preparo
Misture a massa cozida ao molho de tomate. Bata os ovos levemente e acrescente a massa. Tempere com sal e pimenta. Aqueça o azeite e coloque a mistura de massa com ovos. Cozinhe em fogo moderado até firmar. Vire e cozinhe do outro lado.
Molho - Maria de Los Angeles
NHOQUE
E já que estamos no final do mês, e do milênio também, pressinto que comer nhoque só pode dar muitíssima sorte. Mesmo porque só o trabalho que dá para fazer já deve pagar um bom carma. Isso se ficar bom! Fiz nhoque no último Dia das Mães e observei que se trata de uma festa comunitária. Se for nhoque pra comer sozinha, é melhor comprar pronto. Que com um bom molho até fica passável. Agora, aquela festa de mulheres aventaladas - que cortam os imensos bigatos brancos de massa e pingando-os na água fervente -, só fazendo em casa mesmo. Saímos todas enfarinhadas, numa orgia branca de farinha, eu dando ordens, claro, ( la chefa de la cocina ) já que acabo me auto-promovendo a mandachuva com a grande responsabilidade, entretanto, do resultado ser perfeito.
Acho que desta vez só errei na quantidade, pois deve ter sobrado pelo menos até o final do ano. Mas pelo menos todos se empanturraram até o próximo Dia das Mães. Agrada a todos: velhos, italianos ou não, crianças. A massa feita na hora tem que ser tipo um purê de batata, levemente aglutinada com ovos e pouca farinha (apenas o suficiente para que a massa desgrude das mãos). Fica ou deveria ficar roletinhos, bolinhas, desmanchantes na boca.
Quando já estamos cansados de tanto cortar e pingar, as bolinhas vão virando coisas de massa, que com certa imaginação tornam-se rostos, gnomos, etc. Deliciosas com o molho de frango, ou bolonhesa, para os carnívoros. Para as mais femininas e sofisticadas, sinto frustrá-las: muitas florezinhas e rosqueamentos na massa vão fazer com que as noquinhas percam o sabor.
Depois do repasto, é melhor dormir um pouco. Normalmente, sinto-me uma jibóia digerindo uma nhocada, o que é bom. Sinto-me - e também todos os que dela comeram - plena e satisfeita por pelo menos mais um mês ter sonhos agradabilíssimos. Acho que por isso é que dá sorte.





