Vindo do Nordeste, Bichinho, como é conhecido entre os amigos, costuma surpreender os pésvermelhos que frequentam sua casa. Com uma cervejinha gelada ele traz um prato de aperitivos fritos na hora. São nada menos do que uns bichinhos - vem daí o seu apelido - encontrados em qualquer jardim: tatuzinhos.
Este hábito, Bichinho trouxe do Nordeste. Estranho para nós, comum e saboroso para eles. A cultura de um povo pode muito bem ser mostrada através da culinária. Pelo interior do Brasil podemos encontrar estas esquisitices, muitas vezes deliciosas, no dia-a-dia de nosso povo.
Tatuzinho frito, formiga com farinha são apenas alguns exemplos da culinária exótica do povo brasileiro. A GNT embarcou em uma viagem pelo interior do País para mostrar um pouco destes pratos.
A idéia é um programa de culinária em ritmo de road movie. A aventura e a curiosidade são o espírito da série produzida em 13 episódios. A frente desta viagem está o padeiro francês Olivier Anquier.
Arquivo FolhaScargot: receitas no programa de estréia‘‘Diário de Olivier’’ irá revelar os segredos da cozinha brasileira em programas de meia hora. A estréia é amanhã e a primeira parada será em São José do Barreiro, localizada na Serra da Bocaina, no Estado de São Paulo.
Nesta pequena cidade encontramos um destes pratos que misturam esquisitice aos olhos de uns e prazer ao paladar de outros. Isto não significa que aqueles que olham torto não tenham o paladar favorecido pelo sabor do estranho prato: formiga com farinha.
Olivier mostra para os telespectadores como se prepara uma genuína farofa de içá, ou formiga com farinha. A proposta do programa é fazer uma série de culinária diferente. Mas não é só o exótico do interior do Brasil que será mostrado.
Aproveitando a formiga com farinha do interior de São Paulo, Olivier ensina duas receitas de uma das iguarias mais famosas da culinária francesa, que não deixa de ser esquisita para nós: scargot.
• Diário de Olivier - estréia hoje, na GNT, às 20h30



MOLHO - Maria de Los Angeles
Sal. Água do mar desidratada, em pó. Assunto vasto como o próprio oceano. O de cozinha deveria ser o marinho-integral, que é bem diferente do refinado que se usa comunente. E que fica soltinho, branquinho, lavado e sobe a pressão arterial dos doentes.
Tempero por excelência. Imagine uma boa e simples batata cozida sem sal e outra salpicada com ele. De preferência, então, que seja com sal marinho. Facilmente encontrado em qualquer mercado que tenha uma seção de alimentos naturais. A diferença é que o sal obtido da água oceânica - não muito poluída - tem exatamente a mesma composição do sangue humano. Temos água do mar correndo nas veias, tingida com a hemoglobina. Sem o sal os mares já seriam um imenso pântano sujo. Nosso sangue também. Saber pôr a pitada certa na comida faz a diferença entre bons e maus cozinheiros. A propósito, uma pitada de sal é o que os dedos polegar e indicador conseguem pegar. O saleiro deve ter lugar de honra na cozinha, sempre guardado em potes de louça ou vidro, onde possamos enfiar a mão generosamente, não só para salgar os alimentos, mas também transmutar energias negativas. Como? Nunca deixe de botar sal onde caiu uma faca. Borrife-se com ele quando os nervos estiverem à flor da pele. ‘‘No creo en las brujas, pero que las hay, las hay.’’ Sempre bem salgadinhas ou com ‘‘salero’’, como se diz em espanhol.

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