É praticamente impossível resistir a eles. Quentinhos, crocantes e com recheios diversos, os pastéis de feira têm apreciadores espalhados pelos quatro cantos da cidade. Em várias barracas, além do cardápio tradicional, é possível encontrar os quitutes em sabores e molhos inusitados. A lista inclui versões com carne de sol com mandioca cozida, servidos com tempero de hortelã com creme de leite.
Presente nas feiras de Londrina há 15 anos, a Barraca da Luiza introduziu em seu cardápio algumas inovações que logo conquistaram os clientes. "Meu padrasto gosta de testar sabores novos e, na tentativa de reproduzir o gosto do escondidinho de carne seca, acabou criando o pastel de carne sol, queijo e mandioca cozida. Acho que deu certo pois a procura por esse sabor é grande. Outro que faz bastante sucesso é o de carne, queijo, bacon e cheddar", revela Sandra Tanno, filha da dona da barraca.
E as inovações não ficaram apenas no recheio. Para acompanhar os pastéis, a barraca serve saborosos molhos que são disputados entre os clientes. "Temos molho de alho com creme de leite, hortelã com creme de leite, soja com temperos e cebola com cheiro verde. Os clientes já chegam pedindo os molhos especiais, mas também oferecemos os tradicionais sachês de maionese, ketchup, mostarda e a salada de vinagrete", destaca Sandra.
Já na barraca "Samurai", os campeões de vendas são o pastel de escarola com queijo e o paulista, que leva carne, queijo, tomate, azeitona e ovo. "O frango com bacon e cheddar também é bastante pedido, assim como os tradicionais de carne e o de queijo", informa Reinaldo Higa, proprietário da barraca.
Criado por pais e avós imigrantes do Japão e pioneiros nas feiras livres de São Paulo, Higa iniciou as vendas nas feiras londrinenses há sete anos. "Os pastéis foram introduzidos no Brasil pelos chineses, que montaram pastelarias em São Paulo, e pelos japoneses, que o popularizaram nas feiras da cidade", afirma.
Segundo ele, os londrinenses gostam mais de sabores tradicionais, ao contrário dos paulistanos que sempre procuram novidades. "Lá em São Paulo, as barracas da minha família vendem muitas outras opções como pastel de bacalhau, de calabresa e de quatro queijos, por exemplo. Também tenho barraca no Rio de Janeiro e lá o mais vendido é o de carne seca. Durante um período oferecemos esses sabores para Londrina mas tivemos pouca procura, por isso resolvemos tirá-los do cardápio", conta.
O volume de produção de pastéis da barraca Samurai dá uma noção da demanda pelo salgado nas feiras de Londrina. "Temos uma máquina que produz três mil e seiscentos pastéis por hora e para manter a produção compramos lotes de quatro toneladas de farinha de trigo", conta Higa.
Ele revela que o segredo de um pastel bem sequinho e crocante é a temperatura do óleo em que o salgado é frito. "O óleo tem que estar numa temperatura alta, entre 180º e 200ºC. Tem gente que leva nossa massa pra fazer pastel em casa e depois reclama que não fica igual ao que vendemos. Isso sempre acontece quando o óleo da fritura não está quente o suficiente", salienta o feirante.

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