Qual é o prato típico de Londrina? Esta é uma pergunta que muitos turistas podem vir a fazer, e que muitos londrinenses não saberiam responder. Mas isso não é vergonha nenhuma. É porque a cidade não tem mesmo um prato típico. Tem vários.
Para Arnaldo Falanca, presidente da Abrasel Londrina, a justificativa é clara: o município foi fundado por diversas etnias. Por isso, a ideia é que seja a cidade de todos os pratos. ''Hoje, a gastronomia de Londrina tem os pratos de todas as etnias que tem na cidade'', declara Falanca. Italiana, libanesa, portuguesa, chinesa, japonesa, alemã - são diversas as nacionalidades que formam a identidade gastronômica da cidade. ''Ao invés de destacarmos um único prato, pois é muito difícil esta unanimidade, por que não exaltar o que já temos?'', questiona o presidente da Abrasel Londrina.
O professor de Gastronomia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Marcelo Sokolowski, que ministra a disciplina de História da Gastronomia, concorda que a identidade gastronômica de Londrina tem que ser vista sob um prisma cosmopolita.
Para ele, basta uma visitinha à feira para entender: lado a lado, é possível encontrar a barraca do alemão que vende embutidos, do japonês que vende orgânicos, e a da baiana que vende ervas. Tem também o exemplo do japonês que viajou à França e trouxe técnicas de padaria, e do nipônico que fez sucesso servindo cachorro quente, lembra Sokolowski. Quer gastronomia mais diversificada que esta? ''Se você pensar em um prato só, vai perder toda esta riqueza'', conclui o professor.
Por outro lado, há estabelecimentos em Londrina que acabam adquirindo um modo diferente de preparar e servir pratos comuns em várias cidades. O sashimi servido com uma cama de repolho é um exemplo. Em São Paulo, o prato japonês vem com cama de cebola e um pãozinho para acompanhar.
A salsicha grelhada no cachorro quente, acompanhada de molho de pimenta especial, também é uma peculiaridade da gastronomia londrinense. O gengiskan, foi o londrinense que comeu pela primeira vez, quando trazido por um coreano. Mais tarde a forma de preparar a carne foi adotada pelos japoneses e virou moda. Hoje, perdeu um pouco o seu brilho, mas todo mundo ainda tem uma panela de gengiskan em casa, observa Sokolowski.
O professor coordena um projeto na Unopar que visa fazer um registro da gastronomia de Londrina através dos ingredientes que podem ser encontrados na cidade, e dos seus restaurantes. Na visão de Sokolowski, a cidade tem uma ''mania'' de não guardar seus registros, e esta situação precisa ser revertida também na área de gastronomia.

Exemplos emblemáticos
Ninguém ainda descobriu o que faz a vitamina da Sergipe ser tão especial, mas quem é londrinense já pelo menos ouviu falar e não duvida que ela seja gostosa. A coxinha da lanchonete minúscula do Calçadão, a macarronada servida de madrugada no bar, tudo isso faz com que a gastronomia de Londrina seja diversificada, mas ao mesmo tempo, única.
Mas por que é tão importante uma cidade ter uma identidade gastronômica? ''A gastronomia daqui pra frente será tão ou mais importante que os próprios hotéis, e até os pontos turísticos. Sem uma boa comida, a cidade não prospera turisticamente. E como somos uma cidade prestadora de serviços, temos que destacar nossos serviços, e dentre eles a gastronomia é muito importante'', responde o presidente da Abrasel Londrina, Arnaldo Falanca.

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