Bar é local de bebidinhas e de comidinhas, sem que isso signifique algo mais do que passar a torrada num molho para acompanhar a cerveja. Daí que alguns pratos se tornam tão famosos que, ao falar de um bar, lembramos logo daquele filé ou do sanduíche maravilhoso que são sua marca registrada.
Ontem, em Londrina, o governador Roberto Requião iria ao Bar Valentino. Veio para o lançamento do livro ''Pelos Bares do Paraná'' de Norberto Staviski, um roteiro dos melhores lugares do Estado para beber, comer e conversar. Combinação perfeita para ficar de bem com a vida.
Se Requião comeu o macarrão do Valentino, ainda não sei. Mas ele agora integra a caravana de ilustres que passaram pelo bar e sua visita vai ficar na memória da antiga casa de madeira que, há 25 anos, abriga parte expressiva da boemia da cidade.
Gente ilustre sempre deixa marcas nos bares. A história do Cervantes, no Rio, não teria tanta graça se o compositor Ari Barroso, nos anos 50, 60, não o tivesse frequentado para encher a cara de uísque White Horse acompanhado de um petisco inusitado: galinha frita. Dá para imaginar o velho Ari lambendo os beiços, acompanhado de uma turma da pesada: Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), Antonio Maria e Vinicius de Moraes, entre outros. Com uma turma dessas ninguém queria voltar pra casa. E, assim, Cervantes também virou lenda na versão de bar.
Mas o assunto aqui é comida e pensando na macarronada do Valentino que na madrugada ajuda a vencer tantos porres que já foi chamada de ''milagrosa'' enveredamos pelo cardápio de outros bares da cidade e, com a ajuda dos boêmios, elegemos alguns pratos e petiscos imperdíveis. Se você quer passar bem, não perca: o bolinho de carne-seca da Casa da Cachaça; o pão com filé do Bar do Jota; a dobradinha do Feijão Preto; o carneiro grelhado do Bar Sabor e Ar; o sashimi do Madalena; a costela assada do Don Pablo; a feijoada da Fábrica 1; a sardinha ao alho do quiosque Don Quijote; o filé à parmegiana do Vilão, os pasteizinhos do Bar Brasil, só para ficar em alguns exemplos. Dá água na boca e bate a fome na memória lembrar ainda dos espetinhos do Tio Mário e das empanadas do Araucana, que marcaram época em Londrina.
Mas para marcar a visita do governador, pedimos ao dono do Bar Valentino, Waldomiro Chammé, a receita do Espaguete à Bolopanna, considerado o mais famoso da casa e que mistura o molho à bolonhesa com o a la panna, à base de creme de leite. Se Requião comeu, certamente arregalou-se. Se não comeu, quem sabe possa prepará-lo na sua própria cozinha. Mangia che ti fa bene, governador!
Espaguete à bolopanna
(para 4 pessoas)
1 pacote de espaguete fino (grão duro) de 500 gramas
Molho vermelho
1 caixa de purê de tomate (500 gramas)/ 1 cebola pequena/ 300 gramas de patinho moído/ 1 ramo de manjericão fresco/ alho, sal a gosto/ azeite de oliva.
Cozinhe a cebola inteira e bata no liquidificador junto com o purê de tomate.
Doure o alho com uma colher de azeite. Refogue a carne. Na mesma panela, acrescente o purê, o sal e os ramos de manjericão. Deixe ferver até ganhar consistência.
Molho branco
2 colheres de sopa rasas de farinha de trigo/ 1 copo americano de leite/
1/2 lata de creme de leite/ sal e noz moscada a gosto.
Em uma frigideira, torre levemente a farinha de trigo. Acrescente o leite e mexa até desfazer os grumos. Desligue o fogo, acrescente o creme de leite, o sal e a noz moscada. Mexa bem.
Comece preparando o molho vermelho. Cozinhe o macarrão, escorra e reserve. Prepare o molho branco. Quando estiver pronto, ponha na mesma frigideira o macarrão cozido e mexa. Coloque na travessa. Despeje o molho vermelho sobre a massa. Sirva com torradas temperadas.

mockup