Muito conhecido pelas peças que costumava pregar nos amigos e até mesmo em desconhecidos, o deputado Maurício Fruet, falecido no ano passado, costumava preparar um tal ‘‘Carneiro Afrodisíaco’’. A receita tinha um segredo: o tempero ‘‘muchugum’’ - uma mistura de ervas com pozinhos de animais em extinção do Senegal e da Zambambia - além do pó de rinoceronte branco da África, segundo constava na lenda.
A verdade é que o deputado nunca entregou a receita de seu ‘‘Carneiro Afrodisíaco’’. Agora seu filho Gustavo Fruet afirma ter descoberto ‘‘o lendário segredo’’. O prato, que virou folclore, era preparado por Maurício Fruet em feiras agropecuárias e em reuniões com amigos.
Agora Gustavo encontrou uma forma de lembrar o pai e enviou para amigos e conhecidos um folder onde dá a receita do prato. O pernil de carneiro com o molho de maracujá - base do prato - tem sabor agridoce, que Gustavo Fruet garante ser muito gostoso.
Ele também preservou a pitada de humor do pai e acrescentou entre os ingredientes o ‘‘muchugum’’ e o pó de rinoceronte branco. O sabor ele garante, mas diz que não se responsabiliza pelos efeitos colaterais no caso de alguém errar a dose dos ingredientes.
Além de preservar a memória do pai, a iniciativa serve como forma de divulgar a raça de carneiro Hampshire Down. ‘‘Costumamos brincar com os criadores afirmando que o efeito afrodisíaco só é obtido se o prato for preparado com o Hampshire Down’’,
afirma Gustavo Fruet.
Receita
Ingredientes
1 pernil de Hampshire Down, de mais ou menos 3 quilos
1 copo de vinagre de maçã
1 litro de vinho branco seco
1 copo de shoyu
2 colheres de mostarda de Dijon
16 maracujás
10 folhas de louro
20 folhas de hortelã
1 gengibre pequeno ralado
Pimenta do reino caiena
Pimenta do reino branca
5 dentes de alho
Sal a gosto
2 gotas de essência de catuaba
10 gramas de guaraná em pó
15 gramas de amendoim verde esmagado
100 gramas de Massolin di Fiori (coquetel de ervas finas dos Alpes, encontrada em Pergine - região trentina da Itália)
6 gramas de pó de chifre de rinoceronte branco
20 gramas de poção muchugum
Preparo
• 30 horas antes lavar o pernil com vinagre de maçã esfregando ternamente por cinco minutos
• 24 horas antes colocar alho e folhas de louro bem esmagados em pequenos furos feitos no pernil.
Despejar suco de 12 maracujás com sementes, 1 copo de shoyu, sal a gosto, espalhar mostarda nos dois lados e, em seguida, pimenta do reino em pó
• 12 horas antes: colocar todos os temperos dissolvidos em 1 copo de vinho branco, exceto o muchugum.
Colocar para assar. Uma hora após, misturar a poção de muchugum, diluída em 1/2 copo de vinho branco seco, despejando levemente nos dois lados do pernil. Leva mais duas horas para ficar pronto e durante este tempo, despejar o restante do vinho branco no molho da assadeira, cuidando para que sempre haja molho.



Molho - Maria de Los Angeles
AVENTAIS

Um avental não é apenas um avental. Esse pano que nos envolve ao cozinhar tem significados ocultos, que nos transformam em sacerdotisas anônimas. Os homens que gostam de cozinhar que me perdoem mas é um pedaço de pano essencialmente feminino. Uniforme universal das mulheres de todos os tempos. Para os maçons, emblema do trabalho, de vida ativa e laboriosa. O avental maçônico só cobre a parte inferior do corpo físico, principalmente o ventre, sede da afetividade e das paixões. Como se só a parte de cima do corpo, onde estão as faculdades racionais e espirituais devessem participar do trabalho.
Concordando com a maçonaria, ele deve ser branco, imaculado, puro. E o de cozinhar que nos cubra também o peito, protegendo-nos de respingos quentes no coração. Para quem como eu, não consegue cozinhar sem eles, recomendo os de saco de algodão alvejado. Se você não dispensa enfeites, crochê nas bordas, e pilhas, limpas. Usando um a cada refeição preparada. Para cozinhar nos dias de festa, os singelos e campônios, sempre brancos, quem sabe de linho, levemente engomados. Tudo começa quando damos o laço atrás. E iniciamos o rito cotidiano de elaborar a comida que vai ser sacrificada no altar da fome. Em espanhol eles se chamam ‘‘delantales’’ e são citados por Bizet em cena antológica de sua linda ópera ‘‘Carmen’’, na tabacaria, quando as mulheres brigam, aventaladas, e cantam: ‘‘Não se arrimem as cercas/ Que as cercas são farpadas/ E rasgam os aventais ’’. Numa alusão clara a uma época em que tirar aventais e aproximar-se das cercas eram atos rebeldes e perigosos para as mulheres. Os tempos e os costumes mudaram, as mulheres também. Poucas sabem vestir um avental com coragem e, por trás dele, dignamente preparar uma refeição.

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